Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Pessoa comum. Mais um filho de Deus.

Oi geeente!




Sou comum, comunzinha. Não fui o bebê mais bonito da maternidade (ao contrário do que acreditam meus pais). Minhas tias até colavam durex, nas minhas orelhas de abano.

Não fui um gênio na escola, e nunca sugeriram que eu abandonasse o primário e pulasse direto para a faculdade. Não fui escolhida para ser protagonista dos teatros infantis. E na educação física, sempre fui uma negação. Jamais fui a garota mais popular do colégio. Líder de torcida, nem pensar.

Ninguém cometeu loucuras de amor por mim. Alguns não me quiseram. Outros, eu não quis. E ninguém morreu por isso. Todos nos damos muito bem, obrigado.

Não sou nenhum fenômeno, como Beethoven, que desde criança, já despontava como gênio. E nem sua surdez, aos 26 anos, lhe roubou a inspiração e o talento sem igual. Apesar disso, mergulhou em profunda depressão, inclusive beirando o suicídio.

Não sou Mandela. Não sofri o Apartheid. Não sou homossexual. Não tenho o vírus HIV. E não tenho ideia, real, do que seja, sofrer preconceito na pele. Não posso dimensionar o quanto isso seja doloroso. E o quanto lutar contra isso exija coragem!

Não tive um membro amputado, não me tornei uma campeã das paraolimpíadas.

Não sou símbolo sexual, como Marilyn Monroe. E com certeza não vou morrer em meio a barbitúricos, aos 36 anos de idade.

Quando entrei para a faculdade de jornalismo, queria ser psicóloga. Amo o que eu faço, mas jamais me tornarei Patrícia Poeta. Pra mim, sobra mês e falta salário.

Não sou viciada em drogas, e ao contrário do Casagrande, jamais escreverei o livro: “Michele e seus demônios”.

Gosto de moda, mas não chegarei a Cocó Chanel. No meu guarda roupa, nenhuma peça vale mais que R$ 500. Aliás, boa parte das peças traz etiquetas de lojas como Renner, Marisa e C&A.

Não perdi ninguém da família em um trágico acidente. Todos que amei e que já morreram, simplesmente cumpriram sua missão na terra. Era sua hora. Não tive nenhum trauma. Não fui abandonada. Nunca sofri de falta de amor.

Sei que não sou um fenômeno literário, e meus escritos não vão estar no topo da lista do The New York Times.

Penso que ser realmente marcante, requer muita dor. Todos os grandes nomes da história têm passagens dolorosas. As quais, não desejo e sei, não suportaria.

A fama, o dinheiro, a luta por grandes causas, os maiores exemplos de superação, tudo isso passa, quase que obrigatoriamente pelo sofrimento.

Há muitos heróis perto de nós. Pessoas que realmente brilham. Seres iluminados, com dons, com histórias de vida que arrepiam os pelos da nuca. Nenhum deles passou pela vida em brancas nuvens, como nós.

Dos que estão lendo esta coluna, sei que 99% são como eu: pessoas comuns. Que nascem, crescem, trabalham, têm filhos, constroem suas famílias, e suas histórias. E isso pra mim é um privilégio. Admiro, aplaudo, respeito, mas não queria estar no lugar de quem mexeu com os pilares da história ou de quem serve de exemplo para o mundo. O preço é alto demais.

Sinceramente, quero ser mais uma na multidão.

Quando eu nasci, Deus perguntou: - O que você quer ser na Terra, minha filha?

E eu respondi:

- Só quero ser feliz.

Beijos, meus amores!

5 comentários:

  1. Linda história..emocionante..beeijos

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  2. Muito lindo seu texto e a mais pura verdade... Parabéns pelo blog e pelo bebe!

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  3. E ainda assim (talvez justamente por isso), Deus olha pra vc como a criatura mais linda e especial do mundo, a ponto de entregar a propria vida por amor a vc! Não é incrível isso? :))

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