Devaneios tolos... a me torturar.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Armas químicas e poemas...



Oi geeente!

Em uma conexão Recife-Rio de Janeiro, dividi o avião com Gilberto Gil. Na verdade, não fosse um grupo de fãs que reconheceu o cantor no aeroporto, e de imediato começou o burburinho de fotos e autógrafos, para mim, Gil teria passado batido.
Cabelo esbranquiçado, muito magro, discretíssimo, meu ídolo dá sinais da força do tempo. Sei que todo grande artista é imortal, mas temo que, aos poucos, estejamos perdendo, um a um, os homens e mulheres que realmente fizeram (e fazem) música neste país.
Amo o programa The Voice Brasil, e acompanhei os principais duelos de grandes vozes anônimas, cantado letras e músicas de gigantes consagrados.
Acompanhava a repercussão nas redes sociais, e percebia que o programa virou febre, caindo no gosto popular e tornando-se um dos fenômenos da TV aberta, talvez o único, que não precisou expor baixarias para ganhar telespectadores.
Mas onde estou querendo chegar?
A um ponto muito simples: nenhum dos artistas do The Voice levou ao palco atuais sucessos musicais, como as interpretações de Anitta ou Michel Teló.
As canções que tocaram o coração de milhões de brasileiros eram sucessos da MPB, do samba, músicas regionais e sucessos internacionais. A grande maioria, com décadas de existência, cujos autores, ou não fazem parte da nova geração, ou já morreram.
Concluo que a própria música está morrendo. Existe alguma letra que se imortalizará, composta pelos atuais autores e propagada pelos atuais intérpretes? Surgirá um novo Renato Russo? Os novos Caetanos, Miltons? Até mesmo na música internacional questiono se, na atualidade, algum sucesso se compara à letra de Imagine.
Nos finais de ano, a pobre Simone fica afônica, porque ninguém conseguiu substituir a tradicional tradução da música “Então é Natal...” (Luan Santana gravou sua versão, e muito provavelmente Papai Noel teve uma síncope!)
Os sucessos que surgem tem exatos quinze minutos de fama, depois descansam em paz. Com suas letras estúpidas e seus refrões chicletes são facilmente substituídas por outras rimas pobres, seguidas de coreografias que necessitam de muitas coxas, muitas bundas, e cérebro algum.
Pobre geração atual, sem ideologias. Sem músicas que se tornam hinos. Sem trilha sonora para seus encontros amorosos. Sem gritos de guerra. Sem revolução.
Pobre geração sem Cazuza. Sem Tim Maia. Nem sequer Engenheiros do Havaí ou Titãs. Sem Elis Regina.
Não nos damos conta, embalados pelo ritmo de Naldo, que estamos tão pobres, tão miseráveis de verdadeiros artistas.
Aliás, só nos damos conta disso quando os pelos dos braços se arrepiam em programas como o da Globo. Artistas de hoje, cantando sucessos do passado. Resgatando qualidade e conteúdo musical.
Parabéns ao The Voice por abrir os olhos e ouvidos dos brasileiros para a cultura, apesar dos pesares.
Até os surdos saberiam que o programa seria um verdadeiro fiasco, se ao invés das interpretações que foram escolhidas para a grande final, tivéssemos no palco Sam Alves cantando Camaro Amarelo, Lucy cantando Show das Poderosas, Pedro Lima cantado Piradinha e Rubens Daniel cantando Fugidinha com Você!
Aí seria um Deus nos acuda. Se não estivesse morto, Vinícius de Moraes cometeria o suicídio, e Tom Jobim, se contorceria no túmulo.
Onde estão nossos poetas?
Triste geração sem poesia.
Um beijo, meus amores.

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