Oi geeeeeeeente! Eu quero meu MU-MU!!!!
Meus lindos! Viajei por uma semana para a Patagônia Argentina. Fui até onde minhas economias puderam me levar, mas quero dividir com vocês a emoção de desbravar a Cordilheira dos Andes e conhecer as belezas de Bariloche.
Meus amados, muitas das minhas amigas e pessoas próximas gostariam de viajar, e me perguntam como eu consigo. E eu sempre digo: priorizando.
A grande maioria das pessoas trabalha muito, e na hora de gastar, precisa fazer opções. Então, antes de comprar roupa, trocar minha Tv por uma LCD, ou de trocar de carro, eu viajo.
É uma opção pessoal, mas para mim, é a escolha certa. Eu tenho verdadeiro vício, necessidade de conhecer o mundo onde vivemos, e conhecer pessoas diferentes, culturas diferentes. E juro, não tem faculdade no mundo que ensine mais que uma bela viagem.
Essa última, parcelada em duzentas mil vezes, mudou completamente minha opinião sobre los hermanos.
Como sempre, os pré-conceitos, nos cegam. Tinha a impressão de que os argentinos eram arrogantes, mal educados e que não gostavam dos brasileiros. Isso até passar alguns dias com eles, no universo deles.
Bariloche tem mais de 100 anos, e mais de 100 mil habitantes. Vive do turismo, chocolate, cerveja artesanal e da tecnologia.
Durante o inverno, é chamada de Brasiloche, dada a quantidade de brasileiros por lá. A gauchada que foi comigo (um avião fretado só com gaúchos) tomou conta de tudo. Foi até difícil treinar meu espanhol, porque a gente ouve mais português do que outra língua. Mas nas estações de esqui, como Cerro Catedral, o mundo se encontra: os mais diferentes povos, as mais variadas línguas, todos simplesmente “abobados” com o espetáculo da natureza. A Cordilheira se apresenta majestosa, cercada de lagos por todos os lados.
Pegamos muita neve, e os moradores afirmaram que foi a primeira grande nevasca de 2010. Aliás, na cidade de Bariloche, a neve é cada vez mais rara. Isso se dá pelos efeitos do aquecimento global e pelo sistema da calefação, que funciona em todos os lugares. Aquecidas a gás, as caldeiras mantém as casas e locais públicos muito quentinhos, em contraponto a temperaturas que ultrapassam os 10 graus negativos nas ruas.
Por lá, o gás natural é encanado e barato. A calefação nos bairros custa menos de 30 reais por mês, o que torna o sistema super acessível a todas as classes.
Bom, para passear pelas ruas, é necessário muita roupa, mas dentro dos ambientes, é mesmo muito calor.
Nas estações de esqui, é necessário usar roupa especial, senão, meus amigos, molha até a ... alma!
Tudo em Bariloche é muito barato. Comida, transporte, passeios e serviços. A comida, deixa muito a desejar. Praticamente não leva sal. O que me deixou uma semana sonhando com o Clube, com a Pizzaria e com o Posto.
Fora isso, os argentinos são simpáticos, divertidos e acolhedores ( e por favor, não espalhem... mas eles são LINDOS demais).
Você pega uma simpatia por aquela gente que te recebe com tanto carinho, que dá vontade de ficar lá pra sempre (ainda mais se um bonitão te pedir em casamento hahahaha).
Mas falando sério... gostei tanto, que tô quase torcendo pro Maradona... (meeenos haha).
Quero recomendar a todos os leitores que viajem. Que saiam um pouco do seu mundo cômodo e confortável. Onde tudo é conhecido e os conceitos já estão formados. Viajar é abrir a mente ao conhecimento, é compreender as diferenças, crescer como ser humano, e invariavelmente se tornar uma pessoa melhor. ( Ou pelo menos se tornar uma pessoa mais magra, porque com o piriri que me deu na Argentina, acho que tô 5 quilos mais leve hahahaha).
Conheci um lugar, na fronteira com o Chile, conhecido como Cerro Tronador. É uma montanha gelada, na Cordilheira, onde visitamos o “Glaciar Negro”. Gelo glacial de milhões de anos, em uma visão inacreditável. Depois de 70 quilômetros em chão batido, em uma reserva ambiental cortada por rios gelados, vegetação magnífica e muita neve, chegamos caminhando por 2 quilômetros, ao glacial. Quando o gelo se desprende do topo do morro, e bate nas rochas, o barulho como que de um trovão, pode ser ouvido há quilômetros. A montanha inteira ruge. É algo único e muito impressionante.
Fiz passeios maravilhosos, e estou cheia de dicas para dar, a quem se interessar.
O triste, depois de ser muito bem recebido no país das pessoas que conhecemos como nossos rivais, é chegar ao Brasil, com um potinho de mu-mu e ser barrada na alfândega. A vigilância sanitária estava recolhendo e jogando no lixo todo o doce de leite do país vizinho. Eu sei que é uma questão legal... mas no país do contrabando, da sonegação e da fome, é realmente um grande desperdício jogar fora nosso “mu-mu”. É revoltante e triste. Ninguém estava carregando duzentos mil quilos de doce de leite contrabandeado... mas as autoridades locais precisam parecer úteis de alguma forma.
Meu potinho de mu-mu foi pro lixo sem dó nem piedade. E no aeroporto peguei um taxista tão mal educado e grosso, que juro, fiquei com vergonha de ser brasileira.
Por incrível que pareça, temos muito a aprender com os argentinos.
Muita neve, nas montanhas e também na cidade de Bariloche. Agosto 2010.
Lago Nahuel Huapi, que banha a cidade de Bariloche.
Lindos e simpáticos, os São Bernardos estão por toda a parte.
Passeio em moto de neve na estação Cerro Catedral. De tirar o fôlego!
Diante da imponência da Cordilheira, palavras são desnecessárias!
Fabricação de chocolate artesanal. Delicioso e muito barato.
Simpáticas ruas de comércio em Bariloche.
No topo da Cordilheira. Valle Challuaco.
Cerro Tronador: Glaciar Negro.