Vou sentar na beirinha da minha janela só pra ver o mundo girar. E se tem algo que eu posso confiar com certeza... é que ele gira...
Devaneios tolos... a me torturar.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
A vida bege...
Oi geeente!
Quando Felícia nasceu, o quarto no hospital era um confortável ambiente em tons pastel. Na porta, ao invés do sapatinho cor de rosa, a lã escolhida pela vovó era bege. Assim como era bege a camisola da mamãe, e a camisa do papai. Tudo era claro e nude, na cidadezinha de Felícia.
As pessoas eram comedidas, e a vida organizada. Felícia cresceu em um ambiente bege, com pessoas beges, sentimentos beges, brigas beges, lições de moral igualmente, beges. Por muito tempo ela acreditou que o mundo todo fosse dessa cor.
Um dia, Felícia passeava com sua bicicleta bege pelo interior da cidadezinha, quando avistou um pontinho vermelho, no meio do bege infinito e se encantou por aquela cor. Ela era quente, viva, pulsante. Transmitia sentimentos que Felícia desconhecia. Era algo inquietante, excitante, desafiador. A flor, vermelho sangue, despertou na menina a curiosidade de conhecer outras cores.
Com sua bicicleta, seguiu adiante. Atravessou a fronteira bege, percorreu campos verdes. Sentiu o perfume das violetas. Pedalou até mergulhar no azul, até se aquecer no delicioso sol amarelo, e adormecer sob o luar prateado. Como era lindo o mundo colorido. Precisava contar o que havia descoberto para todos aqueles que habitavam a cidade bege.
Ela contou primeiro para a família, que havia mais cores no mundo, e que as pessoas que pintavam sua vida com variada aquarela, não sorriam amarelo, nem se amavam em tons pastel. Mas ninguém acreditou nela. A vida bege era tudo o que conheciam.
Felícia queria provar que a real felicidade existia, que podia ser alcançada, bastava pedalar um pouco mais além. Esperou anoitecer e pegou sua bicicleta, até o lugar onde havia visto pela primeira vez, a rosa vermelha. Colheu a rosa com cuidado, levando-a consigo até a casa de seus pais.
Contente, achando que poderia provar que o mundo tinha cores, depositou a rosa ao lado do travesseiro na mãe, esperando surpreende-la no dia seguinte.
Porém, sem água, sem a terra marrom, sem o orvalho azulzinho, sem a luz prateada da lua, ou o dourado do sol, a rosa vermelha murchou, se encolheu, secou e morreu.
Na manhã seguinte, mais uma manhã bege, na cidadezinha bege, Felícia acordou, achando que tinha mudado seu mundo... Mas, encontrou o mesmo cenário de sempre.
Olhou a flor seca, que perdeu completamente a cor, e percebeu que, para uma cor nova conseguir manter-se viçosa e linda, é preciso estar viva.
Entendeu que não mudaria, infelizmente, as pessoas beges daquela cidadezinha. E que, se permitisse, eles é que lhe transformariam em alguém bege também.
Entendeu, que a culpa não era daquelas pessoas sem a alegria das cores. Elas apenas seguiam caminhos já traçados por seus antecessores, cultivavam valores que lhes foram impostos, seguiam costumes que aprenderam com seus pais, avós, bisavós, tataravôs, e antes deles, aqueles que fundaram o lugar. Entendeu, que precisava sim, ter raízes, Mas também precisava de asas.
Como não podia mudar os outros, mudou a si mesma. Pegou sua bicicleta e partiu. Foi morar no mundo colorido que a esperava, cheio de possibilidades e de sonhos. Partiu. Mas não esqueceu.
Escrevia aos pais contando suas aventuras, e mandando cartões postais dos lugares maravilhosos que estava conhecendo no mundo.
Passaram-se décadas, e um dia, a saudade a fez voltar para abraçar os seus. Os pais, já velhinhos, a esperavam... na única casinha bege, com janelas vermelhas daquela comunidade.
A mãe disse: Felícia, minha querida, eu sempre acreditei em você. Acreditei nas cores, assim, como outros acreditarão. Mas as grandes mudanças começam pequenas, senão, se transformam catástrofes. Pintei as janelas de vermelho, em sua homenagem. Sei... que com o tempo, outros me seguirão.
Talvez, não estejamos aqui para ver, mas um dia... pintarão esta cidade, com as cores do arco-íris!
Naquela noite, Felícia, pela primeira sentiu, que a cidadezinha bege, já tinha cores de esperança, e que o pôr-do-sol que se anunciava, já tinha tímidos tons de laranja.
O futuro, com certeza... seria mais colorido.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
A verdade que desnuda você...
Oi geeeente!
Todo mundo briga.
Você briga com seu irmão, com seus pais, com seu namorado, ficante, tico-tico no fubá. Briga com seu colega de trabalho, com o chefe, com a vizinha. Em algum momento da sua vida, certamente você deve ter tido uma discussão com alguém íntimo, do seu convívio.
Numa dessas, eu também discuti. Ou melhor, não discuti.
Ouvi.
Quando estamos nervosos, apontamos e aumentamos os defeitos do outro, cuspimos pregos pela boca, e crucificamos o nosso oponente sem dó, nem piedade. Mas, há ocasiões em que realmente, conseguimos colocar o dedo na ferida.
Ninguém precisa jogar na sua cara que você tem frieira (por isso nunca tira a meia), tem mau hálito, ou tem chulé. Que você está gordo, tem pelo na orelha, tem celulite, bunda caída ou não é nada sexy ao tirar a roupa. Aquelas coisas constrangedoras, que, quando saem da boca de alguém, parece que se materializam e você não tem como negar.
Isso porque mascaramos nossos defeitos. Maquiagem para olheiras. Botox para as rugas de expressão. Alisamento para cabelinho ruim.
Tá, tudo bem, mas e quando realmente desnudam você, tiram sua máscara e suas proteções? Aí dói. Dói demais. Porque julgar o outro é fácil. Mas colocar-se no tribunal é que são elas.
Vivemos em uma sociedade que endeusa a perfeição. E nos torna zumbis em busca desta meta inatingível. Por isso, quando nos apontam os defeitos na aparência, isso nos deixa tristes. Mas e quando nos apontam os defeitos de caráter? É com esses que devemos realmente nos preocupar.
Outro dia, jogaram na minha cara, verdades guardadas dentro de um baú, trancadas a sete chaves. Verdades que me silenciaram e que me fizeram refletir profundamente sobre as mudanças que preciso realizar em mim.
Minha insatisfação constante, mania de perfeição, meu consumismo desenfreado, minha vaidade, meu orgulho e minha triste mania de julgar-me o centro do universo prejudicam a mim e aos que me cercam. Ferem e entristecem todos que me amam.
São coisas difíceis de lidar, de mudar, e de aceitar. Ver-se pelos olhos dos outros como alguém difícil, e olhar-se no espelho, reconhecendo esses defeitos foi um grande passo.
Quando criticam nossa aparência, recorremos à estética, à plástica, à moda, a qualquer coisa que mascare o problema. Mas e quando criticam nossa essência? Desnudam de nossos medos, nossos fracassos e nossas frustrações?
Aí sim é hora de fazer uma lipoaspiração no ego. E começar a descer das escadas do orgulho. É hora de baixar a cabeça e perceber que ninguém é melhor que ninguém. E que por mais que tentemos nos mostrar perfeitos, o que realmente importa é encontrarmos alguém que reconheça nossos defeitos (mesmo os terríveis) e mesmo assim nos ame.
E o outro lado da felicidade, é também enxergar os terríveis defeitos dos outros, e ainda assim, amá-los de todo o coração.
Uma sacudida, um dedo na ferida, às vezes é bom, e nos desperta para a vida.
Beijos meus amores!
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Curtinhas
"Sim. Você faz planos. Projeta. Cria expectativas. Mas fatalmente alguma coisa sairá do seu controle. E nem porque algo entortou, ou deu errado, significa que deixou de ser belo. Aliás, às vezes, é preciso dar tudo errado, para depois dar certo".
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Para recordar...
"Há momentos em que desejo fazer o tempo voltar e apagar toda a tristeza, mas tenho a sensação de que, se o fizesse, também apagaria a alegria. Assim, revivo as memórias da forma como vêm, aceitando todas elas, deixando que me guiem sempre que possível. Isso acontece com mais frequência do que as pessoas percebem".
(nicholassparks- um amor para recordar)
(nicholassparks- um amor para recordar)
(foto Kis Piovesana)
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