Por
favor, não invada a linha do tempo de uma rede social como quem entra
na casa de um amigo ou conhecido e vai direto à geladeira servir-se de
cerveja, azeitona e queijo picado. Não deite no sofá da timeline com o
controle remoto da televisão na mão, com seus canais favoritos sendo
zapeados, enquanto o dono da casa assiste perplexo o hóspede espalhado.
Sinceramente, o comportamento de quem comenta suas postagens fala muito mais sobre o visitante do que sobre você.
Com exceção de perfis preconceituosos, que incitem violência, cada um é
livre para postar o que quiser, quando quiser, como quiser.
Esse
ambiente familiar chamado Rede Social é como a casa da gente. Portas
fechadas, pequena, recatada, minimalista, limpa, cheirosa, organizada,
florida. Bagunçada, enorme, portas escancaradas, sujeira pra todo lado,
terra seca. Têm os acumuladores, aqueles postam tudo o que fazem e
aqueles que só observam.
Os que são de esquerda, de direita, e volta no meio.
Os que sambam, os que pagodeiam, os que dançam vanerão e outros que odeiam sertanejo, funk e Wesley Safadão.
Tem eu, tem tu, tem vós, pais, mães, tios, tias e tem eles também.
Tem quem viva deitado no sofá e tem aqueles que vão pra rua.
Tem quem bata panela e tem quem afirme que é golpe.
Tem de tudo um pouco. Cada um espiando pela janela.
Agora, dar pitaco na casa do outro, limpar sua sujeira no tapete do vizinho é no mínimo muito, muito chato. Pra você, é claro.
Desde que o mundo é mundo, é preciso conviver com as diferenças. Principalmente com as diferenças de pensamento.
Manter uma certa linha de respeito, dignidade e civilidade é
fundamental, até mesmo numa rede social. Não seja o chato palpiteiro em
terreno alheio.
Cuide da sua casa, cultive seu jardim, regue suas
rosas e cuide bem da sua vida. Reveja suas atitudes, mantenha os limites
do seu espaço e respeite o espaço do outro.
Eu sou católica, mas
tenho inclinações pro espiritismo, heterossexual, mas super apoio o amor
em todas as formas, no mundo LGBT eu sou S. Leio horóscopo, acredito em
ETs, meu livro preferido é “O Pequeno Príncipe”, apoio quem não come
carne, mas ainda não evoluí suficientemente para abrir mão do churrasco.
Isso não me descredencia a defender os animais. Talvez me torne um
pouco hipócrita, verdade. Sou casada só na prática, não no papel. Nunca
quis subir ao altar vestida de noiva. Tenho uma filha, que vai ser filha
única. Não pretendo acumular bens nessa vida, me contento com minha
casa e minha bagagem de viagens, que espero que sejam muitas, até o fim
da jornada. Se tudo der errado, eu começo outra vez, tudo bem. Acho que
sou de direita, mas já votei na esquerda e votaria de novo, se
acreditasse nas boas intenções de alguém.
Sou o que sou, mas amanhã
serei diferente, e por incrível que pareça, embora às vezes me sinta um
pouco incomodada com coisas que considero radicalismo, convivo
perfeitamente e harmonicamente com tudo aquilo e aqueles que são o
oposto do que sou e do que penso.
Eles me transformam e me fazem ser o que serei amanhã: melhor que hoje.
Não lembro de ter dito uma palavra ofensiva a alguém que fosse
totalmente diferente de mim ou contrário àquilo que acredito. O que não
me faz melhor que outras pessoas, porque sinceramente, mentalmente já
dei voadora no peito de muita gente chata. O fato de não ter dado é que
faz toda a diferença nesse mundo violento.
Violento em palavras,
gestos, emoções. Gente que escancara e publica todo o ódio, o destempero
e o desequilíbrio possível e imaginável.
Gente que não poderia ter
um perfil numa rede social, porque sinceramente, jamais teve perfil para
conviver em sociedade, já que para (con)viver em sociedade, respeito é o
ingrediente básico. Então, tire seus pés de cima da minha mesa,
devolva-me o controle remoto da minha televisão, feche a porta da minha
geladeira e só entre na minha casa se for para fazer meu dia melhor.
Caso contrário, ficaria imensamente grata se você parar de me visitar.
E juro, nem vou sentir sua falta.
Devaneios tolos... a me torturar.
sábado, 14 de janeiro de 2017
Amor maior que eu
Somos feitos de muitas contradições. Bondade, maldade, luz, sombras, solidariedade, egoísmo, humildade, soberba, e todas as ambiguidades que povoam a alma do ser humano. Mas tornar-se mãe, é retirar de dentro de si a melhor parte, e depositar no outro. Não à toa as mães afirmam, assim que dão a luz, que o coração bate fora do peito.
É a melhor tradução da maternidade. Todo seu amor personificado naquele pequeno ser, que até então, era parte de você. É isso.
Está sendo difícil, confesso, perceber que minha menina é um ser além de mim. Ela não sou eu, embora tenha sido. Gerada em meu ventre, alimentada de meu sangue e de meus sonhos, o melhor de mim, dentro de mim mesma.
E agora percebo que ela, não sou eu.
É difícil não ser egoísta nestas horas. Difícil admitir que com apenas três anos ela já seja um ser com personalidade, desejos, rotina e gostos independentes dos meus.
Difícil vê-la escolher suas roupas, decidir por si se quer o cabelo preso ou solto, afirmar que não gosta disso ou daquilo e expressar sua vontade diante de passeios e programações.
Vejo-a dançando suas coreografias, cantando suas musiquinhas e criando personagens imaginários em suas brincadeiras infantis.
Suas frases e conclusões próprias e as coisas que diz e que nunca antes tinha escutado no ambiente familiar. Ela já pensa por si só. E absorve informações muito além de casa.
Ela cresceu. Não é mais o bebê dependente, e eu não sou mais a mamãe canguru.
Como dói e como me alegra olhar da plateia, ou como mera coadjuvante, minha pequena menina em cena, a brilhar num papel que é só dela.
Neste dia 18 de dezembro, minha garotinha completa 3 anos. Oficialmente entra na infância. “Mãe, eu não sou mais bebê”.
Verdade Olívia. Embora eu sempre te ofereça meu colo, percebo que preciso deixá-la construir caminhos pelos próprios passos.
Vejo da maneira mais clara e realista possível que sim, somos frutos do meio onde vivemos, dos sentimentos e educação que recebemos, das oportunidades que obtemos, mas acima de tudo, viemos pra esse planetinha prontos.
Não somos marionetes. Embora sejamos seres lapidados pela vida, quando descemos a esse mundo pelo ventre de nossas mães, já somos um ser com características próprias e únicas. Uma joia rara.
Meu pequeno diamante!
Reparo no seu senso de humor, personalidade. No seu riso fácil e na sua sensibilidade incrível. Na sua pureza e inteligência. Nas suas decisões e em seus medos.
Percebo que não sou você. Fui apenas um instrumento de algo maior, uma força além de mim mesma, para trazê-la a este mundo, para cumprir sua missão.
Fui ponte. Fui meio. Você é o fim.
Uma obra de arte que já não pertence ao artista.
Todas as mães precisam controlar esse sentimento de posse em relação aos filhos. Tenho praticado isso diariamente. Tenho dividido você, meu diamante, com o mundo.
Você é livre, independente. Você é um ser individual e completo.
Mas eu já não sou. Porque foi em você que depositei o melhor de mim. Como uma doadora de órgãos, deixei meu coração bater fora do peito. E dentro dele, está a única felicidade possível para uma mãe:
A felicidade de dar asas para um filho voar e ser eterno ninho, para quando ele quiser voltar.
Não posso simplesmente dizer que te amo. Porque você é meu amor, puro e verdadeiro, que respira, sorri e vive, fora do meu peito.
Feliz aniversário, minha menina!
Está sendo difícil, confesso, perceber que minha menina é um ser além de mim. Ela não sou eu, embora tenha sido. Gerada em meu ventre, alimentada de meu sangue e de meus sonhos, o melhor de mim, dentro de mim mesma.
E agora percebo que ela, não sou eu.
É difícil não ser egoísta nestas horas. Difícil admitir que com apenas três anos ela já seja um ser com personalidade, desejos, rotina e gostos independentes dos meus.
Difícil vê-la escolher suas roupas, decidir por si se quer o cabelo preso ou solto, afirmar que não gosta disso ou daquilo e expressar sua vontade diante de passeios e programações.
Vejo-a dançando suas coreografias, cantando suas musiquinhas e criando personagens imaginários em suas brincadeiras infantis.
Suas frases e conclusões próprias e as coisas que diz e que nunca antes tinha escutado no ambiente familiar. Ela já pensa por si só. E absorve informações muito além de casa.
Ela cresceu. Não é mais o bebê dependente, e eu não sou mais a mamãe canguru.
Como dói e como me alegra olhar da plateia, ou como mera coadjuvante, minha pequena menina em cena, a brilhar num papel que é só dela.
Neste dia 18 de dezembro, minha garotinha completa 3 anos. Oficialmente entra na infância. “Mãe, eu não sou mais bebê”.
Verdade Olívia. Embora eu sempre te ofereça meu colo, percebo que preciso deixá-la construir caminhos pelos próprios passos.
Vejo da maneira mais clara e realista possível que sim, somos frutos do meio onde vivemos, dos sentimentos e educação que recebemos, das oportunidades que obtemos, mas acima de tudo, viemos pra esse planetinha prontos.
Não somos marionetes. Embora sejamos seres lapidados pela vida, quando descemos a esse mundo pelo ventre de nossas mães, já somos um ser com características próprias e únicas. Uma joia rara.
Meu pequeno diamante!
Reparo no seu senso de humor, personalidade. No seu riso fácil e na sua sensibilidade incrível. Na sua pureza e inteligência. Nas suas decisões e em seus medos.
Percebo que não sou você. Fui apenas um instrumento de algo maior, uma força além de mim mesma, para trazê-la a este mundo, para cumprir sua missão.
Fui ponte. Fui meio. Você é o fim.
Uma obra de arte que já não pertence ao artista.
Todas as mães precisam controlar esse sentimento de posse em relação aos filhos. Tenho praticado isso diariamente. Tenho dividido você, meu diamante, com o mundo.
Você é livre, independente. Você é um ser individual e completo.
Mas eu já não sou. Porque foi em você que depositei o melhor de mim. Como uma doadora de órgãos, deixei meu coração bater fora do peito. E dentro dele, está a única felicidade possível para uma mãe:
A felicidade de dar asas para um filho voar e ser eterno ninho, para quando ele quiser voltar.
Não posso simplesmente dizer que te amo. Porque você é meu amor, puro e verdadeiro, que respira, sorri e vive, fora do meu peito.
Feliz aniversário, minha menina!
Eternamente jovem...
Há tempos não recebia um email com uma dose de veneno. Como o remetente
não se identificou, me permito achar que realmente tinha maldade em seu
conteúdo. A sugestão de pauta era “o que eu acho das coroas que namoram
os novinhos e querem ter pra sempre 20 anos”.
Bom, opinião e bunda todo mundo tem, diz o ditado. Umas são melhores que as outras, obviamente.
Lá vai a minha (opinião).
Acho triste, muito triste uma mulher madura namorar um carinha mais jovem e querer ter pra sempre 20 anos. Porque ninguém tem pra sempre 20 anos, a não ser quem teve uma morte prematura e não conseguiu completar 30, 40, 50, 60...
Se eu namoro um cara mais novo e vivo presa ao comportamento e à estética de um corpo de 20 anos, certamente serei infeliz. E o amor, meus caros, não nasceu pra trazer infelicidade.
Uma mulher de 40 anos jamais vai ter uma pele de 20. Independente de quantos processos estéticos faça, do quanto se alimente bem ou de quantas horas passe na academia. Se beliscar a pele, ela já não volta automaticamente pro lugar. Ela fica lá, enrugadinha e preguiçosa, antes de voltar a ficar lisinha. O pescoço, as dobras dos cotovelos e do joelho, os pés de galinha, os cabelos brancos podem ser amenizados, disfarçados, mas jamais serão exterminados. Eles estão lá para mostrar que você viveu até os 40 anos. Oba!
Por isso tenho muita pena da prisão da juventude, muito embora às vezes ela também me segure pelo pé.
Agora se você me perguntar o que eu acho de uma mulher de 40 anos, com orgulho de ter 40 anos e que namora um cara de 20, que sabe que tem uma mulher de 40 ao seu lado e a respeita, eu vou dizer: que sorte a dele!
Porque é incrível o que o tempo faz com a alma de quem vive de bem consigo mesmo! Se o viço da pele não é o mesmo, a alma, cada vez rejuvenesce e se torna mais atraente.
Uma mulher madura sabe dar valor para o que tem valor. Sabe ser leve, divertida, segura de si, vivida, independente, inteligente. Soma à juventude , a experiência de quem já passou por essa estrada.
Eu não tenho nada contra nenhum tipo de relacionamento, desde que haja respeito. Respeito de um pelo outro, e respeito pelo que se é.
Que dó de quem vive uma metamorfose forçada toda a vez que muda de amor. Era rock, virou pop. Era sofá, virou academia. Era único, virou cópia barata para impressionar alguém.
A gente já foi assim. Só que depois dos 30, realmente não dá.
Ou soma, ou some.
As coisas ficam mais fáceis, os pontos finais mais definitivos. Menos drama, porque a vida é curta demais para “tentar ser”.
Não tento ser jovem. Sou jovem. Serei eternamente, valorizando cada um dos anos que atravessei e mantendo o espírito leve de criança, com olhos curiosos para o mundo. Rejuvenesço a cada primeira vez. Por isso, jamais deixarei de experimentar o novo. Envelhecer é deixar de se aventurar.
Quando morrer, digam que morri vivendo.
A verdade sobre o amor é simples:
Ninguém consegue amar verdadeiramente alguém que não se ama e que representa um papel no palco da vida.
Ou você é original, ou você não existe.
Um beijo! Tim-tim!
Bom, opinião e bunda todo mundo tem, diz o ditado. Umas são melhores que as outras, obviamente.
Lá vai a minha (opinião).
Acho triste, muito triste uma mulher madura namorar um carinha mais jovem e querer ter pra sempre 20 anos. Porque ninguém tem pra sempre 20 anos, a não ser quem teve uma morte prematura e não conseguiu completar 30, 40, 50, 60...
Se eu namoro um cara mais novo e vivo presa ao comportamento e à estética de um corpo de 20 anos, certamente serei infeliz. E o amor, meus caros, não nasceu pra trazer infelicidade.
Uma mulher de 40 anos jamais vai ter uma pele de 20. Independente de quantos processos estéticos faça, do quanto se alimente bem ou de quantas horas passe na academia. Se beliscar a pele, ela já não volta automaticamente pro lugar. Ela fica lá, enrugadinha e preguiçosa, antes de voltar a ficar lisinha. O pescoço, as dobras dos cotovelos e do joelho, os pés de galinha, os cabelos brancos podem ser amenizados, disfarçados, mas jamais serão exterminados. Eles estão lá para mostrar que você viveu até os 40 anos. Oba!
Por isso tenho muita pena da prisão da juventude, muito embora às vezes ela também me segure pelo pé.
Agora se você me perguntar o que eu acho de uma mulher de 40 anos, com orgulho de ter 40 anos e que namora um cara de 20, que sabe que tem uma mulher de 40 ao seu lado e a respeita, eu vou dizer: que sorte a dele!
Porque é incrível o que o tempo faz com a alma de quem vive de bem consigo mesmo! Se o viço da pele não é o mesmo, a alma, cada vez rejuvenesce e se torna mais atraente.
Uma mulher madura sabe dar valor para o que tem valor. Sabe ser leve, divertida, segura de si, vivida, independente, inteligente. Soma à juventude , a experiência de quem já passou por essa estrada.
Eu não tenho nada contra nenhum tipo de relacionamento, desde que haja respeito. Respeito de um pelo outro, e respeito pelo que se é.
Que dó de quem vive uma metamorfose forçada toda a vez que muda de amor. Era rock, virou pop. Era sofá, virou academia. Era único, virou cópia barata para impressionar alguém.
A gente já foi assim. Só que depois dos 30, realmente não dá.
Ou soma, ou some.
As coisas ficam mais fáceis, os pontos finais mais definitivos. Menos drama, porque a vida é curta demais para “tentar ser”.
Não tento ser jovem. Sou jovem. Serei eternamente, valorizando cada um dos anos que atravessei e mantendo o espírito leve de criança, com olhos curiosos para o mundo. Rejuvenesço a cada primeira vez. Por isso, jamais deixarei de experimentar o novo. Envelhecer é deixar de se aventurar.
Quando morrer, digam que morri vivendo.
A verdade sobre o amor é simples:
Ninguém consegue amar verdadeiramente alguém que não se ama e que representa um papel no palco da vida.
Ou você é original, ou você não existe.
Um beijo! Tim-tim!
Lembranças vivas no fundo do coração
Muitas vezes a gente sai de casa com um propósito, e acaba sendo
surpreendido com uma experiência que nos emociona. Saí numa tarde
ensolarada, de céu de brigadeiro, rumo aos Caminhos de Pedra, em Bento
Gonçalves, conhecidos como nossa Toscana particular.
E é. Quem já teve a oportunidade de visitar essa região linda da Itália, vai se sentir de volta à terra dos imigrantes quando cruzar os Caminhos de Pedra. Claro que é uma mescla de passado e presente. De desenvolvimento e preservação histórica. Uma casa moderna faz divisa com o centenário casarão. De repente, você olha pro lado do asfalto cinza e quente e mergulha no túnel do tempo, direto pro moinho cuja roda ainda gira movida pela água límpida e cristalina do riacho. O cachorro, pastor de ovelhas, bebe um gole d´água. As roseiras estão floridas. Os parreirais começam a maturar os grãos. Vem chegando o tempo da colheita.
Tudo isso é mágico, mas muitas vezes, em um passeio, uma lembrança te pega pelo pé e te remete a momentos que realmente marcaram tua vida. Foi assim comigo.
Uma das paradas foi numa casa de massas, instalada em um complexo de casarões antigos, de madeira escura, escadinhas simpáticas e flores nos canteiros.
Dentro, todo tipo de sabores coloniais: compotas, chimias, geléias, rapaduras e biscoitos. Sim, biscoitos.
E foi aí que o túnel do tempo me devolveu à infância. Um cheiro peculiar, conhecido, íntimo.
Olhei pra cozinha e lá estava ela, cortando a massa, colocando os biscoitos na forma, e levando ao forno. O cheiro de lar, de vó, de infância, de pureza, de felicidade me imobilizou. Eu não consegui segurar e grossas lágrimas começaram a descer. Há décadas eu não via aquela cena, eu não sentia aquele cheiro!
A produção dos biscoitos se foi com ela, minha nona. As fornadas inteiras, as centenas de biscoitos cheirosos distribuídos entre filhos e netos, se foram com ela. Enterrados com seu amor, com seu sabor e com seu cheiro.
Cheiro de infância. Cheiro da casa da minha vó. Olhei ao redor pra tentar me recompor e tudo o que consegui foi me enterrar ainda mais no passado. A madeira sem tinta. A banca. O fogão de lenha. A escada para o sótão. O tanque. O forno. Os pássaros. O quintal. As dálias e rosas do jardim.
Meu Deus! Como são incríveis esses momentos em que podemos viver hoje, sentimentos de anos atrás.
Um perfume, e lá vamos nós rumo às sensações mais incríveis!
Alguém que passou por você, usando o perfume dele! E você se arrepia como se sentisse o toque da paixão, outra vez.
O cheirinho de bebê e a saudade da eterna confusão de fraldas, panos e cuidado com a criança que cresceu.
O churrasco assando na brasa te fazendo rever o pai, o avô, em frente à churrasqueira tirando uma lasquinha de carne, para ver o filho, o neto sorrir.
Os jasmineiros e os natais.
As uvas e o verão.
A chuva, a poeira que assenta e a alma lavada.
A mata úmida e o frescor da natureza.
O cheiro da nossa casa.
O perfume da comida da nossa mãe.
O biscoito do forno da nossa avó.
Nada se perde nessa vida, nessa coisa que inventamos e colocamos o nome de relógio, o dono do tempo. Ele não pode nos roubar as lembranças!
Nada passa. Tudo fica. Nada morre, tudo vive, enquanto a gente puder voltar.
Passado o déjà vu, segui meu caminho, com o coração cheio de alegria pela infância feliz, que me tornou a pessoa que sou hoje: Grata pela vida!
Obrigado meu Deus!
E é. Quem já teve a oportunidade de visitar essa região linda da Itália, vai se sentir de volta à terra dos imigrantes quando cruzar os Caminhos de Pedra. Claro que é uma mescla de passado e presente. De desenvolvimento e preservação histórica. Uma casa moderna faz divisa com o centenário casarão. De repente, você olha pro lado do asfalto cinza e quente e mergulha no túnel do tempo, direto pro moinho cuja roda ainda gira movida pela água límpida e cristalina do riacho. O cachorro, pastor de ovelhas, bebe um gole d´água. As roseiras estão floridas. Os parreirais começam a maturar os grãos. Vem chegando o tempo da colheita.
Tudo isso é mágico, mas muitas vezes, em um passeio, uma lembrança te pega pelo pé e te remete a momentos que realmente marcaram tua vida. Foi assim comigo.
Uma das paradas foi numa casa de massas, instalada em um complexo de casarões antigos, de madeira escura, escadinhas simpáticas e flores nos canteiros.
Dentro, todo tipo de sabores coloniais: compotas, chimias, geléias, rapaduras e biscoitos. Sim, biscoitos.
E foi aí que o túnel do tempo me devolveu à infância. Um cheiro peculiar, conhecido, íntimo.
Olhei pra cozinha e lá estava ela, cortando a massa, colocando os biscoitos na forma, e levando ao forno. O cheiro de lar, de vó, de infância, de pureza, de felicidade me imobilizou. Eu não consegui segurar e grossas lágrimas começaram a descer. Há décadas eu não via aquela cena, eu não sentia aquele cheiro!
A produção dos biscoitos se foi com ela, minha nona. As fornadas inteiras, as centenas de biscoitos cheirosos distribuídos entre filhos e netos, se foram com ela. Enterrados com seu amor, com seu sabor e com seu cheiro.
Cheiro de infância. Cheiro da casa da minha vó. Olhei ao redor pra tentar me recompor e tudo o que consegui foi me enterrar ainda mais no passado. A madeira sem tinta. A banca. O fogão de lenha. A escada para o sótão. O tanque. O forno. Os pássaros. O quintal. As dálias e rosas do jardim.
Meu Deus! Como são incríveis esses momentos em que podemos viver hoje, sentimentos de anos atrás.
Um perfume, e lá vamos nós rumo às sensações mais incríveis!
Alguém que passou por você, usando o perfume dele! E você se arrepia como se sentisse o toque da paixão, outra vez.
O cheirinho de bebê e a saudade da eterna confusão de fraldas, panos e cuidado com a criança que cresceu.
O churrasco assando na brasa te fazendo rever o pai, o avô, em frente à churrasqueira tirando uma lasquinha de carne, para ver o filho, o neto sorrir.
Os jasmineiros e os natais.
As uvas e o verão.
A chuva, a poeira que assenta e a alma lavada.
A mata úmida e o frescor da natureza.
O cheiro da nossa casa.
O perfume da comida da nossa mãe.
O biscoito do forno da nossa avó.
Nada se perde nessa vida, nessa coisa que inventamos e colocamos o nome de relógio, o dono do tempo. Ele não pode nos roubar as lembranças!
Nada passa. Tudo fica. Nada morre, tudo vive, enquanto a gente puder voltar.
Passado o déjà vu, segui meu caminho, com o coração cheio de alegria pela infância feliz, que me tornou a pessoa que sou hoje: Grata pela vida!
Obrigado meu Deus!
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Bonito, uma aventura linda!
Já contei
pra vocês que tenho uma espécie de consórcio viagem. É uma prestação mensal
para conhecer um lugar novo por ano. Uma prioridade que elegi para respirar, me
refazer, ganhar fôlego para enfrentar mais um ano de rotina e trabalho.
Eleger
prioridades requer renúncias, sempre. Porque quando você decide por algo,
precisa abrir mão de outras coisas para realizar seus sonhos.
Assim,
viajar não é fácil. Ainda mais em tempos de crise. Mas nem por isso é
impossível.
Hoje você
parcela tudo, organiza roteiro, alimentação, transporte, estadias. Chega no
lugar e desfruta, sem praticamente tirar um real do bolso. Tudo já estava
devidamente planejado e parcelado.
Mas neste
ano foi diferente. Pela primeira vez viajei com uma criança de dois anos, o que
exigiu ainda mais organização. Não vou dizer que é fácil. Remédios para todo o
tipo de pereba possível. Mais conforto (o que significa mais despesas), menos
riscos, mais planejamento.
Elegi
Bonito, no Mato Grosso do Sul, porque desde cedo quero que minha filha entenda
que nossa casa é nosso planeta. E que nossos bens são o ar, a água, o solo que
produz o alimento, os animais que dividem nosso lar e merecem nosso respeito. O
meio ambiente é nossa riqueza mais importante.
Embora a
viagem tenha sido cansativa, a loucura dos aeroportos, conexões, transporte
terrestre e um bebê que exige cuidados, só trago na bagagem as melhores
lembranças.
Bonito é
lindo. Mas não é o roteiro mais prático.
Isso me
ensinou que a natureza precisou se esconder do homem para manter-se intacta.
Assim, todos os caminhos de Bonito até os destinos ecológicos ficam distantes.
Todos. Quilômetros e quilômetros de estradas de chão, caminhadas em meio às
matas e sempre algum esforço físico.
Portanto,
muitos dos passeios não podem ser feitos por crianças menores de cinco anos.
Nós aproveitamos tudo aquilo que Olívia poderia desfrutar.
E não
faltou nada: tivemos banho de rio, de cachoeira, mergulho em apneia, flutuação
e visitação ao recanto ecológico onde vivem centenas de araras (uma doninha de
500 metros de diâmetro e 100 metros de profundidade, cujas paredes se
transformaram num ninho de araras- quando elas cruzam o céu, você perde o
fôlego e o arrepio é garantido).
Pelos
caminhos de Bonito entramos em conexão com Deus. Cruzam por nós macacos
sapecas, emas, seriemas, lobinhos, veados, tamanduás, araras, tucanos,
periquitos e muitos, muitos pássaros.
Fazendas
pantaneiras, homens e cavalos, simplicidade e respeito. Os animais permitem a
aproximação, pois não se sentem ameaçados.
Os grupos
de turistas são pequenos e organizados em horários. Nada é feito sem guia. A
permanência nas cachoeiras é controlada, não é possível tocar em nada, destruir
ou modificar a paisagem.
Na
flutuação, o ponto alto do passeio, entramos
em um universo paralelo. O mundo aquático. Cavernas, peixes,vegetação
fluorescente e multicor, velhos troncos abrigando muita vida.
Quem olha
as fotos pensa que tudo é raso. Mas somos enganados pela cor azul da água e por
sua transparência. Os rios são profundos e escondem poços e grutas. Por isso é
necessário respeito e acompanhamento especializado.
A
natureza abre seus braços e nos abraça. Nos sentimos parte de algo muito maior
do que nós mesmos. Ampliamos nossa visão de mundo.
O povo é
hospitaleiro, a comida é deliciosa. O tempero é o da vovó. Nos fogões campeiros,
muitas delícias e doces irresistíveis (prepare-se para engordar!)
No
retorno, nos sentimos renovados. Mais gratos. Mais felizes. Mais esperançosos.
Bonito é
vida. Bonito é tudo de bom. Bonito é mesmo lindo.
Se puder,
sinta você mesmo, em suas veias, em seu coração, a vida selvagem e livre
pulsar... pura e corrente, como as águas dos rios Formoso, Sucuri e do Prata.
Boa
viagem!
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Sobre o amor: o primeiro, todos os outros, e o verdadeiro...
E talvez, minha filha, a lição mais linda e a mais difícil,
seja o amor. Tenho um palpite de que vocês irão se encontrar. Ele vai mostrar
para você todas as suas faces, suas nuances, seus caminhos, seus atalhos e
desvios.
Se pudesse, pularia todas essas fases e colocaria você, de
frente pro mar do amor, numa rede, balançando num vento manso, curtindo a beleza
de um por do sol.
Mas águas bravias chegarão. Tempestades. Ventos que destroem
tudo, para que possamos reconstruir, nos reconstruir, fortalezas.
Já que não posso levá-la até o oásis de um amor tranquilo,
quero preveni-la, do que virá.
Primeiro, e sempre: Você é linda. É única. É especial. Os
outros e você mesma colocarão em dúvida essas verdades. Mas é primordial amar-se,
para depois ser amado. Ame-se meu amor. Aceite-se. Nunca se compare. Você tem
valor.
Você encontrará pessoas boas e pessoas más. Outras apenas
imaturas (algumas que crescem logo, outras que jamais crescerão). Haverá as exibicionistas
e narcisistas. Amar-se é bom, endeusar-se é perigoso.
Então, você irá se relacionar com pessoas que vão te
machucar. Te expor. Farão você esperar, sem que ninguém chegue. Você,
inevitavelmente será usada. Como passatempo de alguém, como segunda opção de
alguém, apenas como um momento. (Sinto informar, mas é bom provável que você
faça o mesmo com algumas pessoas).
É que o desamor também é professor. E todas as más
experiências são válidas, desde que façam nascer em você o amor próprio: o mais
importante de todos.
Sim, talvez te pisem e humilhem. Mas só o farão uma vez. Não
permita que isso se incorpore à sua rotina. Você precisará experimentar: o amor canalha, o
fogo da paixão, a desilusão, o abandono, as lágrimas, a traição, o perdão, o
recomeço, o fim. Você morrerá de amor mais de uma vez, para continuar vivendo.
Mas não se assuste: com isso tudo virá o riso, o brilho nos
olhos, as borboletas no estômago. A sensação única e incrível de estar viva!
Ah... permita-se! Jogue-se no fogo. Transpire vida por todos
os poros. Quebre regras. Liberte-se!
Existe uma entidade, quase uma presença real em nossas vidas
que se chama: opinião dos outros. Não deixe que ela corte suas asas.
Ouça apenas quem realmente se importa com você. Embora,
algumas vezes, a paixão possa deixá-la surda, cega e burra. Aprenda errando meu
amor. E aprenda com os erros dos outros também.
Acima de tudo, antes de mais nada: respeite-se. Ouça seu
corpo, seus limites, seu instinto. Não faça aos outros aquilo que não gostaria
que fizessem com você. Embora, sim, você vá pisar na bola. E depois odiar-se
por isso. Perdoe-se. É importante.
Você até pode se submeter, alguma vez na vida. Mas não se
submeta a vida toda.
Acredite, o amor salva. O amor não prende, ele liberta. Ele
não condena, ele absolve. Ele não pesa, é leve. O amor não fere, ele cura.
Sim! Que os caminhos do amor não te levem a um beco sem saída.
Que no fim, você encontre uma cadeira de balanço, num jardim em flor. Uma mão
firme, um ombro amigo, um abraço acolhedor. Que o amor da sua vida seja casa,
não abandono. Que seja cobertor, não orvalho da madrugada.
Que no final, entre erros, tropeços, acertos, romances,
pequenas tragédias, grandes paixões, o amor seja a sua salvação.
Que ele pouse e faça morada no teu peito. Que ele possa criar
raízes em detrimento de asas, que ele seja fecundo e frutifique. Que o amor
transforme você no melhor que você pode ser.
E quando você desacreditar, lembre-se de mim. Lembre-se de
nós, e tenha a certeza que o amor existe. Foi ele que te trouxe até aqui.
Te amo.
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