Devaneios tolos... a me torturar.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Deixe o novo entrar!

Deixe o novo entrar. E ficar.


Queridos guaporenses... não sei se vocês já repararam na sutil e transparente rede de pessoas que, unidas, mantém-se sempre nos mesmos lugares, ocupando os mesmos cargos, nas mesmas instituições, empresas, entidades.
É uma força muito discreta, e só é sentida realmente quando alguém tenta ocupar um cargo de destaque em algum lugar... sem ser convidado.

Não estou aqui dizendo que é errado possuir um grupo forte de pessoas capacitadas, que são uma corrente firme nas instituições, partidos, associações. Pelo contrário, isso é muito bom.

Estou dizendo que o novo não mata, ele engorda. Ele agrega. Mas ele também pode gerar sombra aos velhos conceitos, suplantando-os, superando-os. E aí está o problema. As pessoas tem medo de perder o lugar.

Meus queridos... imaginemos que Guaporé só contasse, por exemplo, com um talentoso arquiteto. E este arquiteto gostasse de tudo quadrado. As primeiras obras seriam diferentes, inovadoras. Um deslumbre. Ele conseguiria manter sua criatividade até a quinta, sexta, sétima obra... mas, e depois? Suas linhas arquitetônicas seriam comuns.

Aí, vem um segundo arquiteto, e humildemente constrói uma obra redonda.

Qual iria se destacar?

Receber na sua entidade alguém que pensa diferente, que tem sangue novo, novos conceitos, não significa que você não seja talentoso, criativo e capaz. Significa apenas que, talvez, por se repetir tantas vezes, tenha caído na mesmice. E é isso que precisamos evitar.

Mas não é o que acontece. Quando os gatinhos do partido político tal estão todos abanando seus rabinhos brancos na direção de uma eleição, e surge, entre eles um gatinho de rabo preto... automaticamente, o chefe maior do partido propõe: que tal você descolorir seu rabo e seguir conosco?
Se o gatinho em questão não aceitar... ele tem o rabo cortado.

Pois bem... só quem entrou hoje na empresa com ideias novas, só quem entrou hoje no partido com novos conceitos, só quem ingressou hoje na entidade com uma nova forma de ver uma associação, sabe o quanto é forte esta rede que evita o novo em Guaporé ( e em todos os lugares do mundo, onde as pessoas disputam, a faca, seu lugar ao sol).

Mas apesar de todos os esforços, voluntários ou não (porque o medo faz com que as pessoas tomem atitudes sem se darem conta), para impedir o novo de entrar... ele vem.

E por vir, ele se destaca. E por se destacar, ele atrai muita inveja. E por ser invejado e perseguido, ele se fortalece. E por se fortalecer, ele sobrevive.

E se for bom, ele cria raízes, e se perpetua.
Se não for bom... será apenas mais um vento que passou...

Não precisamos temer o que é novo. Precisamos abrir as portas para ele, crescer e aprender com ele. Para construir o novo, não é preciso desconstruir o passado.

Pensemos nisso.

“É você, que ama o passado e que não vê... que o novo sempre vem...” * Elis Regina

Um comentário:

  1. Minha querida, a falta de capacidade das pessoas medíocres, faz com que elas temam pessoas mais capacitadas e criativas. Por isso, há tanto bloqueio para novos profissionais e novas ideias.

    Ricardo

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