Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ridícula, eu?


Oi geeeente!

Por acaso vocês me acham ridícula?Vocês conhecem alguém ridículo? E o que vocês pensam sobre pessoas assim?
Sabe gente, eu conheço uma porção de pessoas ridículas. Que se expõe a situações ridículas. E querem saber? Quem é ridículo é que é feliz.

Eu sempre tive verdadeiro pavor de fazer papel ridículo na frente dos outros. E isso tem limitado muito minha vida. É uma espécie de fobia.

Quando era mais nova (há pouco tempo atrás, óbvio!!), tinha pavor da professora me chamar para dar uma resposta em voz alta na frente da turma. Tinha medo de errar e parecer idiota. Por isso nunca fui uma aluna brilhante, a mais popular, a que ganhava papel de destaque nas peças teatrais.

Preferia passar fome e morrer de inanição a me render a comer uma banana no recreio. Por certo o apelido de macaca me perseguiria por toda a eternidade.

Quando adolescente, fui pra academia de ginástica e na primeira aula, uma moça subiu na esteira, e ao aumentar o ritmo de caminhada, acabou levando um tombo fenomenal. Resultado: toda a vez que eu vejo uma esteira, fico pensando que quando eu subir nela, todas as energias eletrônicas da terra vão desregular a velocidade, fazendo ela correr mais rápido que a luz, me jogando feito uma lagartixa na parede, e enquanto eu for escorregando parede abaixo, todo mundo vai ficar rindo de mim. Resultado prático: juro, NUNCA na minha vida subi em uma esteira. Sério.

E quando fiz minha carteira de motorista, “resolvi” arrancar na terceira marcha e saí pulando feito uma perereca em plena praça central. Fiquei tão traumatizada de vergonha, que nunca mais andei pelos arredores da praça. Meu medo do vexame é tanto, que o medo do ridículo me impede de dirigir. Não dirijo há um ano. Sério.

Quando abro a boca para apresentar um cerimonial, juro, que preciso engolir, junto com o ar que respiro, toda a coragem do mundo para não sair correndo e me esconder debaixo da primeira mesa que encontro. Morro de medo de errar, e pagar mico.

Pessoas que sofrem com isso, lutam a vida toda para se superar. E certamente, por mais competentes que sejam, perdem muitas, muitas oportunidades, por medo de arriscar, de perder, de parecer ridículo.

Não falamos as coisas certas para as pessoas certas para que não nos julguem fracos, emocionais e... ridículos. E acabamos perdendo pessoas importantes por causa disso.

Não experimentamos aventuras em esportes, em competições, em shows de calouros, em qualquer atividade que não dominamos. O medo de errar é maior que a coragem de tentar.

Eu morria de medo das aulas de educação física. Era desengonçada demais. Nunca cantei em karaokê. Nunquinha. E o medo de parecer uma taquara rachada?

Eu sei que muitas pessoas sofrem com isso. O ridículo é limitador em todos os sentidos, desde o romântico e sentimental, até o prático e profissional.

Quem não arrisca, acaba não conquistando coisas importantes.

Por isso, toda a vez que ouço alguém falando mal de mulher no volante, de homens ou mulheres que se relacionam com pessoas mais novas, de pessoas que depois de dois mil anos de casado resolvem se separar e começar de novo, de quem começa a dançar aos 78 anos, de quem se veste da maneira que se sente bem (mesmo que seja gótico), de quem assume sua sexualidade sem medo de se expor... eu penso: eles são felizes. Ou pelo menos estão tentando ser.

Outro dia, estava ali na Sorveteria Guri e chegou um casal, onde a havia uma diferença de idade de 10, 15. Uma pessoa recalcada ao extremo falou baixinho: que ridículo.

E eu pensei comigo mesma... ridículo é ser infeliz.

Se expor, arriscar, tentar, pagar mico, falhar, acertar, errar é processo natural de crescimento. Quem não se arrisca, vive pela metade. E a vida é curta demais para que desperdicemos tempo com bobagens. Vamos nos permitir.

“Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.”Luis Fernando Veríssimo

“O ridículo não existe; os que ousaram desafiá-lo de frente conquistaram o mundo.” Octave Mirbeau

Então, sejamos todos ridiculamente felizes.

7 comentários:

  1. Na cidade pequena, a rede é menor, mas tem muitos fios. O boca a boca navega à velocidade da luz. O medo de expor-se e de contrariar normas de conduta não escritas reflete o receio de exclusão e do risco de enterrar o futuro social ou/e profissional. É uma pequena ditadura da opinião. Muitas potencialidades são perdidas por causa disso. O indivíduo sente-se preso. Romper essas amarras é ato de coragem, inteligência e amor a si mesmo. Conformar-se e seguir estritamente o figurino é candidatar-se a ser cliente de farmácia, consumindo fluoxetina e clonazepam.

    ResponderExcluir
  2. Mais um pouquinho desse interessante tema. Por que na maioria das cidades pequenas se fala tanto em doença (inventadas: desgaste de osso, infecção no sangue, despachar a urina, veia entupida, nervo encaroçado, perder as pernas, etc, mesmo entre pessoas escolarizadas) e o consumo de medicamentos é irracional e absurdo? Assumir o papel de doente alivia a tensão e dá uma sensação de mais liberdade ao indivíduo, que se mostra frágil e digno de cuidados. De "doente" se cobra menos. Caminho difícil e muitas vezes sem volta.

    ResponderExcluir
  3. Miche!!!
    Quem já não se sentiu ridículo(a) um dia?...
    Melhor ser ridículo por instantes do que ser frustrado(a) a vida inteira.
    Concordo! ..."sejamos ridiculamente felizes"...

    ResponderExcluir
  4. Eu vivia com essa fobia de ser ridicularizada, isso diminui a nossa capacidade de sonhar, criar, ter criatividade e ousar!!!
    Hoje com o amadurecimento vejo que melhorei bastante, aprendi a ser menos exigente e a rir de mim mesma!!!
    Concordo! ..."sejamos ridiculamente felizes"[2]

    ResponderExcluir
  5. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  6. Viver é não ter medo de ser ridícula!!!!

    ResponderExcluir
  7. Acho que no fundo no fundo... viver é não ter medo! Não ter medo da vida! :D

    ResponderExcluir