Oi geeente!
“Agora a moda é barriga negativa”- Penso eu,com uma colher de
doce de leite uruguaio na boca.
Qual será a próxima
moda?
Alguma coisa bem maluca, que todos nós, em maior ou menor
grau, ficaremos tentados a seguir.
Não percebemos que quando somos “seguidores” de algo,
deixamos de ser “ditadores” de algo.
Fulana ditou moda. E lá vamos nós, cordeiros do Senhor, correr
atrás do prejuízo. A moda é ser magérrima? Costuramos a boca. A moda é ser
sarada? Corremos para a academia. A moda é ser loira? Água oxigenada nas
madeixas. A moda é mecha californiana? Bora, tingir metade das melenas, sem
nunca ter pisado nos Estados Unidos.
Todos concordam que a palavra ditadura nos remete à falta de
liberdade. Então, porque nos escravizamos, por livre e espontânea vontade?
Outro dia, no Facebook uma gata sarada comemorava o presente:
uma caixa de suplementos. E na legenda: “Bora
atingir os objetivos”.
Enquanto isso eu comemorava a tele-entrega de massa e picanha
do Pavoni. Lembro bem da recomendação que fiz quando pedi: Capricha na borda de
gordura.
Valha-me Deus! Como vou
entrar na moda da barriga negativa?
Antigamente, quando a divindade que reinava absoluta na Terra
era a natureza, Deus, era mulher.
Ou seja: A Deusa era louvada por sua fertilidade. A terra
farta, a árvore frondosa, cheia de frutos. A mulher de ancas largas, capaz de
gerar muitos filhos.
Se uma magricela barriga negativa aparecesse, seria
desprezada por todos os homens de plantão.
Mas... quando o mundo deu voltas e Deus
passou a ser uma figura masculina, a pobre mulher passou ao estado de
submissão, que a acompanhou por séculos (e ainda a acompanha em muitos casos),
e ela já não era mais sagrada, deixou de ser a divindade, passou a ter papel
secundário, e até mesmo suas arredondadas formas, começaram a ser submetidas a
novos padrões de beleza.
Ou seja, sempre precisamos nos submeter: antes as magras eram
discriminadas. Agora, as gordinhas é que são.
Onde quero chegar com
meu blá blá blá?
Não estou aqui para defender gordinhos, nem para criticar
magérrimas, muito menos para descer o sarrafo nos sarados, nem para fazer
campanha a favor ou contra os suplementos, academias e fotos ‘selfie’ com gente
encolhendo a barriga e prendendo a respiração na frente do espelho até ficar
roxo. (Putz! Daqui a uns dias, no
noticiário, teremos a manchete: Morreu por falta de ar, fazendo pose pro
Facebook!)
Estou aqui comendo e sonhando com o tempo em que seremos
livres para ditarmos a moda de nossas vidas, sem sofrermos pressões.
A verdade é que quem sai dos padrões ditados pelas modinhas
passageiras precisa de coragem e de uma dose certa de Olina (lembram?), porque
certamente ficarão mal do estômago.
Os grupos de amigas são padronizados: vestem-se igual, têm a
mesma cor de cabelo, falam as mesmas gírias, gostam dos mesmos garotos e quase
sempre excluem quem é diferente. É assim desde a infância, e não muda na vida
adulta. Somos sempre pequenos camaleões, nos adaptando ao meio. Será que algum
dia o meio irá se adaptar a nós?
Enquanto esse dia não chega, compro um modelador Yang dois
números menores que meu manequim e saio com a barriga puxada pra dentro. E vou
me endividando para comprar a bolsa da moda, o sapato da moda, o cabelo da
moda, o biquíni da moda.
Será que conta bancária
negativa também está na moda? Oremos!
Beijos, meus amores!
Admiro de verdade aquelas pessoas que se dedicam ao
corpo, mas de forma saudável. Praticam exercícios com prazer, adoram esporte,
comem corretamente. Minha vaia vai para quem deixa de ser feliz para ser magro.
Ou para quem é magro e vive reparando no corpo dos outros. Ou ainda quem é
gordinho e vive a falar mal dos magros. Deixe cada um ser como é, sem exageros
e sem críticas excessivas.

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