O alter ego
Se perguntarem qual meu super-herói favorito, vou imediatamente dizer que é o Super Homem.
Pense nos super-heróis. Todos eles têm seu alter ego. O de Peter Parker é o Homem Aranha. Batman é o de Bruce Wayne.
Agora, o alter ego do Super Homem é Clark Kent. A roupa do Super Homem é vermelha e azul, com aquele “S”. Assim ele foi encontrado pela família Kent, que o criou.
A roupa de Batman foi inventada por ele, assim como a do Homem Aranha. Eles se fantasiam e incorporam seus super-heróis. Super Homem não, com ele, acontece o contrário. Ele é um herói de verdade, que se disfarça de humano, e ainda de um humano fraco e tímido. Ele não acorda Clark Kent. Acorda Super Homem.
Assistindo Kill Bill, de Quentin Tarantino, acompanhei esse diálogo e me dei conta de uma triste realidade: quem é herói de verdade, e quem se fantasia?
Quem é bom de verdade, e quem finge ser?
Repare nossos políticos. Existe algum Super Homem entre eles? Repare em suas decisões com base nos discursos “pelo bem do povo”, mas que no fundo beneficiam seus interesses, seus partidos e sua sede de chegar ou permanecer no poder. São eles realmente quem “aparentam” ser? Ouço, de todos os lados discursos inteligentes, bem elaborados. Quem não tem um pouco mais de sensibilidade, não percebe quem é o herói disfarçado de covarde, e quem é o covarde disfarçado de herói.
É bom começarmos a analisar melhor quem é quem.
E nas amizades? Quem é a amiga verdadeira, fiel, para todas as horas... e quem é a interesseira, amiga de ocasião, amiga de todos, sem ser verdadeiramente amiga de ninguém?
No trabalho? Quem é o verdadeiro colega, e quem é o sanguessuga? Quem é o que se dedica de verdade, e quem é o que se aproveita da dedicação do outro? Quem tem o talento e quem tem o dom de se aproveitar do talento do outro?
Quem é o personagem?
Na vida da gente, representamos muitos papéis. Não tenho medo de quem demonstra suas fraquezas e sua humanidade, através de suas imperfeiçoes e defeitos.
Tenho medo de quem se faz de herói, mas não tem bondade. Quem disfarça solidariedade, mas só trabalha em benefício próprio.
Tenho para mim, que há muitos heróis pelas ruas, escondidos nos locais onde moram e trabalham, longe dos holofotes. Pessoas de espírito leve e alma pura. Cuidam de idosos, ajudam crianças, recolhem bichos das ruas. Não pensam em recompensas. Porque o bem que fazem, faz bem para a alma.
Agora, há também muitos vilões fantasiados de super-heróis. Enquanto não adquirem super-poderes, até que são inofensivos. Porém, são potencialmente perigosos quando assumem cargos políticos, no Judiciário, na segurança pública, no Executivo, no Legislativo, cargos de chefia em empresas, associações, entidades.
Mandam e desmandam, fingindo ser os defensores da Lei e da Ordem. E seus desmandos acabam gerando grandes injustiças, dor, e infelicidade.
Você poderá me dizer: Michele, mas todos têm seus pontos fracos. Até mesmo o teu Super Homem.
E eu vou responder:
Melhor ter como ponto fraco a criptonita, do que a falta de caráter.
Beijos, até a semana que vem!





