Devaneios tolos... a me torturar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Das curtas e certeiras...

"Paixões cretinas, equipamentos de ginástica milagrosos, bugigangas em geral. Você só percebe que não precisava disso depois que aquele trambolho for todo seu!" 

Ai, se eu te pego!

Oi geeente!


Procura-se homem inteligente.
Procura-se homem interessante, bem humorado, que tenha experiências para dividir, e ótimas histórias para contar. Que goste de apreciar as coisas boas da vida, que seja simples, e ao mesmo tempo, sofisticado nas ideias. Que seja a companhia ideal para envelhecer junto.

Procura-se homem que não existe. Será?
Existe sim. Mas é preciso que você também seja a mulher ideal para ele.

Mesmo que não se admita, a vida da gente gira em torno de relacionamentos. Por mais bem sucedido ou feliz que você seja no trabalho, é duro chegar em casa e desfrutar sozinho, do que você conquistou.

A vida é feita para ser dividida. Já diz a famosa frase: a felicidade só é real quando compartilhada.

Mas está ficando difícil encontrar alguém para compartillhar. A maioria das pessoas está em busca de uma relação apenas para sugar. Se aproveitar da posição social, dos bens materiais, do status ou do conforto.

Você compartilha de verdade suas alegrias com alguém? Há quem ria das suas piadinhas e de seu humor ácido? Há quem te abrace nos seus momentos de angústia? Há quem preencha o seu vazio existencial? Há quem te diga “relaxa, vamos dar uma volta, tomar um sorvete, que tudo passa? Há quem te apóie no “larga tudo e recomece”?

Sua vida é partilhada? Verdadeiramente partilhada?

Escrevo isso porque tenho visto uma legião de homens como a música de “Michel Teló”. Seus discursos? – Ai se eu te pego, ai... ai... se eu te pego.

PeloamordeJavé!!! Que mulher se submeteria a um gênio como este? Todo mundo canta a música “Delícia”, mas realmente, vocês já prestaram atenção naquela rebuscada letra? Merecia um prêmio da  Academia Brasileira de Letras.
“Sábado, na balada. Encontrei a menina mais linda. Tomei coragem, comecei a falar: Delícia, delícia, assim você me mata. Ai se eu te pego, ai ai, se eu te pego”.

Pelamor! Coragem peço eu! Mas se é pra falar uma asneira dessas, cala a boca que é melhor. Nada contra a música, que é realmente contagiante e divertida. Mas o problema é que a realidade de muitas baladas reflete isso, a presença do que eu chamo de homem-asno. Não fala, ZURRA!

No Ensino Superior se formaram no curso “Cantadas de Caminhoneiros- Módulo III”. E só abrem a boca para soltar pérolas do tipo: Se você fosse uma caneta, me riscaria todo de você! Sua Linda! 

E essa modalidade de Homem-Jegue não tem idade pra se jogar na breguice. Tem o bando de tiozinhos que bateram nos 40 e voltaram pra adolescência, e agora pegam você num cantinho da boate com aquela frase que saiu do fundo do seu intelecto: Se meu filho não quiser, eu fico com você! Sua linda! 

É mole? E o pior... é que a mulherada cai!! Elas dão corda! O homem-Teló fica grandão e acha que vai conquistar o mundo.

Pois eu afirmo, e quero profundamente acreditar nisso: ninguém aguenta por muito tempo um homem assim só por causa do dinheiro. Impossível. Só se a mulher for muito, muito, muito interesseira, ou burra. Porque você até passa bem um tempo, desfruta, atura. Mas a rotina chega, o tempo passa, e entre uma viagem e outra, um jantar caro e outro, putz... você precisa conversar!!

E aí? Vai ligar para a amiga? Vai arranjar um amante? Vai conversar com o cachorro? Trocar ideias com a sua plantinha?

Por favor homens, seus lindos: cultivem mais seus cérebros, menos seus músculos e contas bancárias.

No fundo, no fundo, quando nada mais der jeito, nem mesmo o viagra... você também meu querido, vai querer apenas sentar na varanda, olhar pro horizonte, e bater um bom papo com quem está ao seu lado.

Vamos, todos nós, buscarmos menos aparência e mais conteúdo. Amém.

Beijos!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Saudações a quem tem coragem!


Oi geeeente!

Na vida, é preciso ter amor. É preciso ter inteligência. É preciso ter iniciativa.  Verdade? Não. Na vida, é preciso ter acima disso tudo, coragem.

Me explico:
Sempre fui péssima nas ciências exatas, e jamais serviria para trabalhar com números. Porém, sem perceber, acabei vivendo justamente com base no que menos sei fazer: calcular.
Não sei se a culpa é do signo (virginiana do cão), dos astros, do raio que me parta, mas a verdade é que faço tudo calculado o tempo todo.  Sou figuradamente (haha) uma “cagona”.

Tenho tudo mentalmente programado. Caso “der errado”.
Você acha que quem calcula cada passo, se entrega de verdade? N-Ã-O.

Conheço muita gente assim:
“Vou largar tudo e tentar uma vida nova em outra cidade. Mas apenas tirei férias de 30 dias do emprego, caso precise voltar”.
 “Vou começar um novo relacionamento, mas deixei o antigo em banho-maria. Caso der errado, tenho pra quem voltar”.
“ Não vou me apaixonar por ele. Assim não vou sofrer”.
 “Não vou dizer pra ela que ela é o amor da minha vida. Caso eu não seja o amor da vida dela, pelo menos não me humilhei por quem não devia”.
“Vou fazer geologia. Pra que arriscar me frustrar e ser reprovado em medicina”?
“Não vou fazer o exame preventivo. Quem procura, acha”.

Quem tem coragem não precisa fazer somente o que tem certeza que vai dar certo. Não tem sempre uma segunda opção. Quem tem coragem foca no objetivo. E como não tem escapatória, dá o melhor de si para que dê certo.

Se não der... Então inicia do zero, sem rusgas, sem uma bagagem de fracassos acumulados nas costas. Como você pode começar algo que vai mudar sua vida, se tem os grilhões do passado amarrados a seus pés?

"O homem que teme o sofrimento já está sofrendo pelo que teme."
( Michel de Montaigne )

Tenho uma amiga montada na grana, que não entra em avião porque tem medo de um desastre aéreo. O sonho dela é conhecer o mundo, vive falando dos lugares que conhece em revistas e documentários. Morrer em uma queda dos céus é que ela não vai. Mas é capaz de morrer de vontade de acordar em um hotel olhando o mar que banha as Ilhas Gregas.

Eu não posso falar de ninguém. Sou do tipo: Se chover, tenho meu mini guarda-chuva na bolsa, o tempo TODO. Não sou pega desprevenida, podem ter certeza. Mas a última vez que tomei banho de chuva foi com cinco anos de idade.

Vocês me entendem? Quem calcula tudo, não se joga. Quem não se joga, não corre o risco de estrebuchar no chão. Mas também perde a oportunidade de voar.

Então, pensando nisso, cheguei a conclusão de que para ter amor na vida, é preciso antes de mais nada, de coragem. Para permitir que alguém entre, sem restrições, no seu coração. Coragem de se entregar, sem medo de ser magoado, ou acabar só. Amar pela metade, calculando o que você faria se chegasse ao fim, é antecipar o amanhã, sem aproveitar o hoje.

Para ter inteligência também é preciso ter coragem. Conheço muita gente inteligente e inútil. Não tem coragem para realizar. Apenas pensa, não executa.

Para se ter iniciativa, é preciso ter coragem. Porque sem ela, a gente não dá o primeiro passo. Não ousa.

Quem não tem coragem, pede sempre o mesmo sabor de sorvete, anda sempre pelas mesmas ruas seguras, beija sempre comedidamente, ama sempre passivamente, vive sempre decentemente, trabalha sempre mecanicamente, e quando perguntado se é feliz, mente!

Quem tem coragem, vive. Quem não tem, se esconde.

"O sucesso e o amor preferem o corajoso."
( Ovídio )

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Anestesiadas...

Oi geeente!



E ninguém ligou no dia seguinte.

Não sei quanto a você, mas eu ainda sou do tempo de esperar a ligação no dia seguinte. E de fantasiar romances, e finais do tipo: Foram felizes para sempre...

Mas não sei em que escola estuda a Cinderela moderna. Só sei que nem é preciso de bruxa para estragar tudo, porque a própria heroína da nossa história está conseguindo fazer isso, com seu novo jeito de ser.

Agora é assim. A carruagem virou carro próprio, e o vestido do baile se transformou em alguns poucos panos que mais mostram do que tapam o que antigamente só aparecia na revista Playboy. Não há suspense, não há história de amor.

Como elas mesmas dizem... “Quer romance, compra um livro”.

Elas começam a se “anestesiar” na quinta, e fecham o bar no domingo. Bem provável que tenham de segunda a quarta para se arrepender do papelão que desempenharam.

Bebem além dos limites do normal, e ficam espiando, fora de si, o que seus corpos fazem, já sem coordenação alguma, sem dor, sem sentimento, sem noção. Já cambaleando, saem à caça de uma presa, do sexo masculino, que muito provavelmente, na manhã seguinte mal lembrarão da fisionomia. Do nome então... só por milagre.

E elas vão até o fim. Ou seja, além de bebida e liberdade, também estão atrás de sexo sem compromisso, sem segurança, sem respeito.

Elas estão se violentando em nome do que chamam diversão.

Não pensem que falo do que ouço falar. Falo do que vejo. Agora são os homens que esperam a ligação no dia seguinte. E ela não vem.

Todos nós, em algum momento, bebemos demais, exageramos na dose, beijamos um desconhecido, saímos com a pessoa errada, ou nos rebaixamos para quem não merecia. O problema é que as Cinderelas Modernas bebem todos os dias, saem cada dia com uma pessoa errada diferente, e se rebaixam para elas mesmas.

Não sei como conseguem se olhar no “espelho, espelho meu” no dia seguinte.

O Príncipe Encantado já fugiu a galope faz tempo. E elas são verdadeiras abóboras que circulam em bando e usam óculos de sol gigantes.

Há desamor. Porque confundiram liberdade com libertinagem. Confundiram prazer com promiscuidade. Confundiram igualdade de sexo com depreciação da imagem feminina. E no final, não há felizes para sempre. Há apenas a máxima: Vou fingir ser feliz por hoje.

Anestesiadas. Assim estão muitas mulheres. Sem sentir nada.

Não admitem, é verdade. Mas, no fundo, só o travesseiro sabe do vazio que esta busca insana deixa, após cada final de festa.

Se fizessem isso e fossem felizes... pelo menos... Se a liberdade lhes escapasse pela boca, em um sorriso aberto de quem encontrou paz de espírito, alegria e felicidade... então ninguém poderia lhes apontar o dedo.

Mas no final do conto de fadas às avessas, elas encontram apenas a solidão.

Solidão, e fim.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Porque você não vai.... ver se eu tô na esquina?

Oi geeente!



- Oi Michele, tudo bem?
- Oi fulana. Tudo ótimo e contigo?
- Mais ou menos. E aí, me conta Miche, tu casou?
- Não.
- E tem filhos?
- Não.
- Mas porque tu não casa?
- Porque sou feliz assim. O importante é que uma relação seja boa, e não que esteja escriturada.
- E filhos? Ó... que depois dos 30, fica mais difícil, hein.
- Se eu ficar muito “velha” depois dos 30 e não conseguir engravidar, eu adoto um bebezinho.
- O que??? Tu não sabe dos problemas de crianças adotadas? E se tu adotar um marginal?
- Pôxa, tu deve ter feito uma pesquisa e deve ter descoberto que todos os traficantes, estupradores, ladrões, bandidos e assassinos são pessoas que foram adotadas. Ninguém que tenha bons pais (biológicos) descamba para o crime.
- Nossa Michele, não precisa ficar assim. Só não quero que quando tu tiver 60, 70 anos, tu seja uma pessoa sozinha.
- Engraçado, conheci uma senhora no asilo, que tinha três filhos, e no entanto, eles não a visitavam há 8 meses.
- Bom amiga... acho que eu vou indo.
- Sim querida, vai... vai ver se eu tô na esquina.

Quem nunca passou por uma situação como essa? Quem nunca foi metralhado por perguntas do tipo:
- Porque você não vai trabalhar em um grande centro?
- Porque você não compra um apartamento maior?
- Porque ao invés de viajar, você não guarda dinheiro?
- Porque você não corta esse cabelo?
- Porque você escolheu Direito, e não Medicina?
- Porque isso, porque aquilo...

Incrível como as pessoas têm a fórmula certa para nós. E esquecem de cuidar de suas próprias vidas. Casar na Igreja, ter filhos antes dos 30, guardar dinheiro no banco, ter um bom carro na garagem, uma casa enorme, onde a gente se perca, são apenas alguns dos conceitos considerados obrigatórios para sermos “normais”.

Só que muitas pessoas apenas seguem essas regras para não serem julgados pela sociedade, e acabam infelizes dentro do mundo de mentiras que criaram.

Não acredito em regras. Acredito em valores. Não seja guiado pelo senso comum, seja guiado pela voz do seu coração. Não pode estar errado quem busca amor e respeito na vida.

Outro dia, conversando com um amigo, eu dei os parabéns pelo casamento. Foi uma festa luxuosa, cheia de pompa e circunstância, que custou os dois olhos da cara.
Eu cheguei toda simpática: - Parabéns! E aí, está feliz, dividindo a vida com alguém?
E ele: - Sim, casei, mas se não der certo, eu separo.

Hã? Mas se pensa dessa forma, então porque casou?

Agora é assim: eu caso, se não der certo, separo. Eu tenho filho, mas se não der certo, eu largo pros avós cuidarem.

Parece que tudo isso está tão descartável! Pudera tantos divórcios. As pessoas não se comprometem, vão ao sabor do vento. Na primeira rajada mais forte, se desestruturam, abandonando o barco. E quem estiver nele que se afogue. Esperto é quem pega o colete salva-vidas e salta primeiro.

Precisamos tomar decisões importantes, quando estivermos prontos para elas. Escolher a faculdade, a carreira, o marido, quando ter um filho... etc, não deve depender de pressão social. Deve depender de um desejo sincero, vindo do fundo do coração.

A felicidade pode ser trilhada das mais diversas formas. É preciso respeitar o caminho que o outro escolheu, para que o outro também respeite sua estrada.

Pensemos nisso antes de lançarmos nossos intermináveis... “Porque você não...” questionando a vida alheia.

Cada um sabe dos motivos que o fizeram ser quem é. Cada um sabe das dores, das alegrias e das tristezas de cada escolha. Cada um sabe o que lhe custou cada um de seus fracassos. E cada um sabe da imensa alegria de seus sucessos. Vamos cuidar da nossa casa, do nosso coração, da nossa vida.

O mundo mudou, as relações mudaram. Não se prenda às convenções sociais.
Apenas seja feliz, a seu modo!


Beijos, meus amores!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Pedalando a liberdade

Oi geeente!


Eu não sei andar de bicicleta.

Ando toda desequilibrada, com medo de cair. Vou insegura, e acabo não aproveitando o passeio.

É que sempre tive vergonha de me locomover, pedalando leve, engolindo pela boca o vento que bate no rosto.

Sempre tive medo que as pessoas achassem sem pudor essa liberdade louca de sair por aí, de vestido ao vento pedalando ligeiro, com o sorriso aberto, deixando pra trás carros, prédios, pessoas, rotina, trabalho, preocupações e compromissos.

Afinal, não temos o direito de sermos tão livres assim. Por isso desaprendemos a andar de bicicleta. Compramos nossos carros, fechados, película preta, blindados para que ninguém nos veja. Ninguém saiba o que se passa em nossa alma.

Ora, quem anda de bicicleta está exposto demais. Está pobre demais. Está fora de moda demais.

Porque deixei de andar de bicicleta? Porque cresci. E me deixei contaminar pelo senso comum de que quem cresce tem muita carga de responsabilidade para carregar. Eles têm razão. Minha bicicleta não suportaria.

Que pena sermos assim.

Não nos damos conta de que é mais feliz quem se expõe sem medo do julgamento alheio. Não nos damos conta que “pobre”, é aquele que sequer tem tempo para um belo passeio com o vento batendo no rosto. E que fora de moda é aquele que pensa que o que se tem, está acima do que se é.

Se Guaporé andasse de bicicleta...

As pessoas seriam mais felizes. Mais leves e alegres. Menos preocupadas com o carro que o vizinho tem na garagem. Usariam roupas mais confortáveis, e deixariam em casa o peso que carregam em suas pastas e bolsas, repletas de problemas e frustrações.

Abordei este assunto porque, na Europa, me deparei com centenas de milhares de bicicletas. E em cima delas, moças, senhoras, jovens, velhos, crianças. Estudantes e executivos. Despojadas e chiques. Descabelados e impecáveis figuras. Pedalando pela vida.

Será culpa das nossas “largas avenidas” que largamos de mão do estilo de vida que se têm, olhando o mundo de cima de uma bicicleta?

O que eu vi, no “Velho Mundo”, foi uma liberdade incrível de ser quem se é, sem medo de ser feliz.

Nos parques, pernas de fora, abraços apertados, leituras demoradas, sorrisos no rosto, tinta no cabelo e muitas, muitas bicicletas.

Cada um sendo exatamente como é, sem precisar seguir o conceito social de como deve se portar, se vestir e se comunicar, um adulto que é bem sucedido nos negócios, e que “deu certo na vida”.

O nosso conceito de “dar certo” está muito errado. O nosso conceito de “ser alguém”, faz com que nos percamos de quem gostaríamos de ser.

Chega disso. Pelo menos pra mim.

Reabilite sua bicicleta! Ela pode ser a bermuda e o chinelo que você vai usar no verão que está chegando. Ela pode ser um despreocupado passeio a pé pelas ruas, na companhia de seu filho. Ela pode ser um piquenique no Autódromo, com seus amigos. Ela pode ser um apaixonado beijo público em seu amor.

Viva as bicicletas! Elas ainda vão dominar o mundo.
Basta ter equilíbrio para não cair!

Beijos meus amores! Até a semana que vem!

“Liberdade é como saborear um passeio de bicicleta sem precisar apostar corrida com ninguém. Apenas pedalar. No nosso ritmo.”

sábado, 17 de setembro de 2011

Viagem pela Europa: Raízes e Asas

Oi geeeente!


Raízes e asas.
Alguém famoso já escreveu sobre isso. Asas para voar, raízes para ter pra onde voltar. Como é bom ter um lugar pra se sentir em casa, e pra se chamar de seu.
Depois de fazer mais de 25 mil quilômetros, atravessando o Atlântico, percorrendo a França, a Itália e a Espanha, posso dizer que me sinto muito feliz em ser brasileira, em viver nesse país de gente incrível, e em voltar.
Lugares e pessoas.
Conheço muitos lugares no Brasil e na América do Sul. Sempre disse que o melhor dos lugares são as pessoas. Não na Europa. Principalmente na Itália e na França, o melhor dos lugares são os lugares. Uma beleza indescritível, tanto em arte, quanto em arquitetura, e principalmente com relação à natureza. Dos três países, o que mais me marcou foi a magia de Veneza, o charme de Florença, o glamour de Nice, e a viagem no tempo em Toledo, uma cidade medieval preservada. Porém, em matéria de gente, fico mil vezes com os espanhóis, porque de franceses e italianos, trago má impressão. Gente fria, individualista e muito, muito mal educada.
Mama ingrata.
Pra quem sonha em voltar à “nostra Itália” eu digo: não é por nada que o país tem forma de bota. Você só leva bico na bunda dos italianos. Gritalhões, antipáticos e mal educados, eles tratam os turistas como coisas, não como pessoas. Vi muita gente sendo destratada ao pedir informações, e em geral os atendentes de hotéis, restaurantes e lojas, são secos, frios e sem paciência. Lembram dos nônos mão de vaca? Dos antigos carrancudos descendentes de italianos? Sim, eles ainda não evoluíram na Itália. Um famoso aqui de Guaporé faria o maior sucesso por lá. A Itália nos remete à nossa história,para nós, é envolta em poesia. Talvez por isso,logo que a gente percebe que por lá, a recíproca de amor não é verdadeira, a gente se decepcione. Como o país recebe milhões de turistas, por lá, somos apenas mais na multidão. Por isso meus queridos, não esperem tratamento vip na Mama Itália não. Lá tudo é muito caro, e existe taxa até pra respirar. Na Fontana di Trevi, fui tomar um sorvete e o atendente era um legítimo cavalo puro sangue italiano. Eu perguntava, ele não entendia, não respondia, e me mandou escolher logo. Duas bolinhas de gelatto me custaram 25 reais. Deduzi que o Imperador César deva ter tomado o primeiro sorvete de Roma naquele lugar, porque pra ser tão caro, só pode ter história.
Olé!
Já na Espanha tudo é mais caloroso! Os espanhóis são mais gentis e simpatizam com os brasileiros. Em Madrid, facilmente nos locomovemos de metrô, tomamos o tal trem rápido pra Toledo, e fomos para todo o canto, sempre com a ajuda das pessoas.  Adorei estar lá! Senti-me muito bem recebida, e encantei-me  com a cidade de Barcelona, seu clima, sua diversidade. A cidade não dorme nunca, e as pessoas não têm medo de ser originais. Todos os tipos e estilos circulam pelas ruas, como iguais.
Vocês já me imaginaram aí na praça, na madrugada, de bermuda, camiseta, chinelo de dedo, lendo um livro deitada na grama? No dia seguinte me internavam.
Essa é a vantagem das cidades grandes da Europa. Você tem uma liberdade maior de ser, de ousar, de se sentir livre sem ser vigiado ou julgado. Os parques estão repletos de gente namorando, conversando, lendo, descansando, caminhando, praticando atividades físicas. Não importa a hora ou o dia da semana.

As cafonas somos nós.
Outro ponto que eu ressalto é o charme das mulheres e dos homens. Como sabem se vestir! Como são LINDOOOS!!! As mulheres, mesmo básicas, são elegantes. Os homens são estilosos. Os cabelos,  a maquiagem, os acessórios, tudo chama a atenção pela simplicidade e pelo bom gosto. Aqui, nossas peruas se enchem de salto, de cores, de penduricos, tudo justo e brilhoso, e mais parecem um pinheirinho de Natal da 25 de Março, mesmo que usem grifes. Lá, pelo contrário, com grifes ou não, as roupas são sóbrias, porém cheias de estilo. É inexplicável como elas sabem compor um visual. Elas sabem sobrepor peças. Não por nada, as grandes marcas estão por lá. Óculos de sol divinos, chapéus, cintos e bolsas circulam pelas ruas como em um desfile de moda. As mulheres são naturais e andam de bicicleta de salto, e super produzidas. Aliás, a bicicleta equivale à BMW local. Nas ruas estreitas, as “bicis” estão por todas as partes, e os engravatados estacionam suas bikes em seus locais de trabalho como se estivessem com o último modelo Porshe. Viva a simplicidade luxuosa!
Voltamos diferentes
O que posso resumir de minha viagem é que ela foi transformadora, enriquecedora. Mostrou-me como somos pequenos em nosso mundinho, mas ao mesmo tempo como nosso mundinho é bom. Mostrou que é preciso abrir a mente, deixar pra trás os preconceitos, utilizar os bons exemplos e crescer. Precisamos crescer como cidade, como pessoas, como país, mas sem perdermos nossa maior riqueza: o sorriso, a prestatividade e a acolhida que temos para com os outros. Mesmo que eles tenham melhor infraestrutura, mesmo que eles sejam considerados primeiro mundo, mesmo que estejam em muitas coisas, passos a frente de nós, ainda assim, eles têm muito que aprender com os brasileiros!

Brasil
Encontrei dois casais voltando da Itália, para reconstruir a vida no Brasil. Com uma crise das brabas, muitos brasileiros que não têm formação específica ou qualificação em algumas áreas cujos salários são altos, estão praticamente trabalhando para comer. Batalham duro, ganham pouco para o alto custo de vida, e desistiram de viver no exterior. Voltam com saudades e com esperança, afinal, se tem um lugar no mundo onde vive a esperança, esse lugar se chama Brasil.
Que bom voltar em setembro, no mês da Pátria e poder dizer que o melhor do nosso país, somos nós!
E que igual ao povo brasileiro, não há no mundo!

























 Alguns dos cenários inesquecíveis: Ilha di Capri, Barcelona, Florença, Madrid,  Nice, Pisa, Roma, Toledo, Nápoles e Pádua.