Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Mea Culpa


Oi geeeeente!



Eu sou culpada por aquilo que não faço. Aprendi assumir as minhas culpas, mesmo que não as pronuncie em voz alta. Sei que praticamente tudo que não deu certo em minha vida, de relacionamentos amorosos, a amizades interrompidas, passando por empregos não conquistados, cursos não realizados, mal entendidos acontecidos, tem minha parcela de culpa.
Coisas que deixei de fazer, coisas que deixei de dizer, coisas das quais desisti prematuramente, coisas que não me dediquei, e nas quais não acreditei como deveria.
Tenho consciência de que meus atos, e principalmente, a falta deles, também influenciaram a vida de outras pessoas, prejudicaram-nas, e sinto-me responsável por isso.
Assumo aquilo que fiz, e principalmente, aprendi a identificar e assumir aquilo que não fiz, sem querer, ou propositalmente.
O que eu não fiz, influencia a minha vida tanto quanto aquilo que optei por fazer.
As pessoas que têm essa consciência conseguem, com a maturidade que as experiências trazem, ver os acontecimentos sob muitos ângulos. Conseguem perceber a sua verdade, a verdade da outra pessoa, e a verdade nua e crua: os fatos.
Se sairmos um pouco da defensiva e deixarmos de nos fazer de vítima, vamos parar de cobrar tanto das outras pessoas, de depender tanto delas, de acusarmos, julgarmos, e culparmos os outros pelos fracassos nossos de cada dia.
Falo sobre isso, para além de promover um exame de consciência em cada um de nós, dizer que muitas vezes me sinto envergonhada diante de tanta omissão, em questões importantes de nossa cidade.
Estou sentada na frente do computador, escrevendo esta coluna, no dia em que foi anunciada a segunda interdição da Escola Estadual Bandeirante.
Escola onde estudei, e que é responsável por um pedaço muito importante do meu passado, do meu presente e do meu futuro.
Fico ouvindo discursos e mais discursos de muitos políticos, de muitos partidos. De diretores, professores, estudantes. São dezenas. Começa pelo Governo do Estado, passa por Deputados, chega a Vereadores, Coordenadores da Secretaria Estadual de Educação, passando por autoridades locais, acabando em pais e alunos.
Ninguém, e escrevo com letras garrafais, NINGUÉM se disse culpado.
Seria tão mais sincero um discurso humilde, assumindo simplesmente: “Eu me omiti. Eu fiz menos do que poderia, ou que deveria. Eu joguei a responsabilidade nas costas do partido político, da equipe diretiva, do CPM, do Grêmio Estudantil, do Governo. Eu joguei a responsabilidade em alguém, e não fiz minha parte. Me desculpem. Sou culpado. Mas não sou o único culpado”.
Ao contrário disso, o que escuto é uma série de acusações mútuas, dedos apontados em riste, e poucos fazendo algo concreto.
Sabem quantas assinaturas já foram contabilizadas para o abaixo-assinado pela recuperação da escola? Duas mil. Em uma cidade de 24 mil habitantes. Escuto indignação, mas não vejo reação.
Foi necessária a interdição da escola para que R$1,3 milhão fossem liberados emergencialmente. E ainda têm políticos afirmando que graças a seu trabalho, finalmente a reforma vai sair. 
Muitas palavras bonitas, em discursos inflados, e poucas atitudes bonitas em ações que fazem a diferença.
Chegamos a uma situação limite. É agir ou agir.
Chega de discursos furados. Vamos assumir nossa parcela de culpa, e levantarmos a bunda de nossas cadeiras.
Somos culpados por nossos atos. Mas nossa falta de atitude diante dos fatos, chama-se omissão. E ela não redime ninguém da culpa.
Chega de bocas cheias, e braços cruzados.
Beijos, meus amores.

Mural de recados:
Contraponto: Ainda falando do Bande, tirando os “inocentes culpados”, queria parabenizar os incansáveis batalhadores pela revitalização da escola. Parabéns àqueles que estão fazendo sua parte. Estes sabem de quem estou falando, e não precisam de purpurina, nem de mídia. O fazem pela consciência da importância do educandário.

5 comentários:

  1. Parabéns pelo ótimo texto!! Estou voltando agora pra cá e ver o "Bande" nessa situação foi muito chocante...sabe-se q é preciso MUITOS anos de omissão para qquer edificação chegar a esse ponto. Lastimável ter sido assim.

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  2. Oi Fernanda!!! Obrigado! Tem razão, são décadas de falta de pequenas, médias e grandes atitudes.
    Beijo!

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  3. Não te conheço, mas parabéns pelo texto. Para aqueles que esperam que os outros façam, é uma ótima reflexão.

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  4. É isso Michele, disse tudo em poucas palavras. Infelizmente escuto muito "algo tem que ser feito", mas quando chega a vez das pessoas tomarem atitudes pequenas, se omitem. Escuto as desculpas: tenho vergonha de participar de protestos, não adianta nada mesmo, passou a fase dos protestos e assim por diante. Infelizmente , enquanto as pessoas continuarem tendo aquele pensamento infantil : "mesa boba que machucou o nenem" , de que a mesa é a culpada pela criança bater nela, muito pouco vai mudar. Que pelo menos as pessoas parem para refletir. Parabéns.

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