Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O Pretinho do "Azar"


Oi geeente!


No último sábado pela manhã no centro da cidade, bem no meio do encontro de duas ruas, na esquina da praça, vi um gatinho preto, bebê, deitado, imóvel. Achei que alguém tinha atropelado o bichano, e me aproximei pelo menos para recolhê-lo daquele local. As pessoas passavam, os carros passavam, e em mais alguns minutos, outro veículo atingiria o gato.
Quando cheguei perto, vi que ele não estava morto, tampouco tinha sido atropelado. Estava imóvel de medo. Apavorado.

Talvez se perguntando, como tinha se enfiado em uma situação como aquela.
Tinha tido “azar” de nascer gato, em um mundo cão. Tinha tido “azar” de nascer preto, em um mundo branco. Tornara-se transparente, invisível, porque é assim que se tornam os “problemas sociais”, em uma sociedade perfeita. Ninguém via o gato, porque era mais fácil ignorá-lo.

Apesar de todas as campanhas, de todos os avanços, de toda a tentativa de conscientização do mundo atual, os preconceitos ainda estão arraigados nas pessoas, e entre a palavra e a ação, há um abismo imensurável.
Todo mundo respeita os gays, todo mundo respeita os negros, todos respeitam os deficientes, todos respeitam os velhos, todos respeitam os animais.

Mas quem quer levá-los para casa?

O meu Pretinho teve sorte. Com uma campanha na rádio e no Facebook, em poucas horas foi adotado pelo filho da D. Juliana, a quem agradecemos de coração.
Mas há muitos “Pretinhos” por aí: bebês que se tornam homens feitos em orfanatos, idosos completamente abandonados por suas famílias em asilos, deficientes que buscam reconhecimento no mercado profissional, porque são capazes, e não porque têm direito conforme as “cotas”, homossexuais discriminados pelos machões de plantão, muitas vezes dentro de suas próprias famílias.

Não sejamos hipócritas em acreditar que discriminação e preconceito não estão em nossas casas. Podem até não estar, de forma declarada, mas estão escondidos dentro das gavetas, dos armários, na falta de atitude. O que mais me irrita é a postura da grande maioria: ignoram o problema, para não precisar tomar uma atitude.

Ninguém iria resgatar o gato. Porque uma vez resgatado, precisaria de alimento, abrigo, carinho. Seria um “problema”. Por isso há tantos animais abandonados ou entulhados nas (poucas) casas de passagens da PAC.

Não sosseguei até não achar um lar para o Pretinho. Usei a Rádio Aurora, as Redes Sociais, liguei para amigos, mobilizei as pessoas. E conseguimos! Em duas horas, o bichinho estava nos braços do novo dono.

Quantos Pretinhos poderiam ser resgatados? Quantas pessoas só precisam ser vistas, para também encontrarem quem as ame, quem as queira, quem as aceite, quem as cuide?

No contraponto do abandono, dos maus-tratos, da cegueira seletiva, de quem só enxerga o que quer, há muita gente que acolhe, que afaga, que alimenta, que enxerga o próximo. São pessoas que têm um olhar diferenciado: não enxergam gênero, cor, religião, raça, espécie, perfeição ou deficiência. São pessoas que conseguem ver a necessidade de compreensão, de aceitação e de oportunidade.

Hoje vai minha homenagem a quem faz a grande diferença no mundo em que vivemos: aqueles que estão aqui, para semear o amor e a solidariedade.

Tenho muito orgulho da minha cidade e do meu trabalho, porque ele serve de ponte entre quem precisa e quem estende a mão!

Beijos, meus amores!

PS: mais tarde descobrimos que o Pretinho, provavelmente foi levado das proximidades da casa de sua dona. Como ele foi parar na praça, jogado no meio da rua, não sabemos. Mas a dona dele ficou feliz que tenha sido salvo e adotado. Ela possui mais três gatinhos para adoção. Entre em contato conosco, se quiser adotar!

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