Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Bobódromo



Oi geeente!!


Divido com vocês esta angústia: impossível atravessar a Avenida Scalabrini, no domingo, depois das 5 da tarde. Socorro!
Na tentativa de cruzar a via de carro, paramos em observação ao comportamento dos motoristas que frequentam o nosso famoso “Bobódromo”.
Eles se arrastam a 10km por hora, em média. Estão com seus possantes lustros, brilhando e refletindo, feito espelhos. Passam em média 250 vezes pelo mesmo local, em um processo, que depois de muito pensar, conclui que só pode ser de acasalamento.
Calma, que explico.

No mundo animal, os machos mais espertos, desenvolvem técnicas perfeitas para conquistar as fêmeas. Muitos bichos realizam estranhos rituais de paquera. Quer ver só um exemplo? Uma espécie de musaranho - pequeno roedor parecido com um esquilo - precisa dar muitas lambidas na face e na nuca da sua amada para amolecer o coração dela e conquistar o direito à reprodução. Já os gibões, macacos de braços compridos e corpo esguio, passam um bom tempo cantando em cima dos galhos das árvores até irem para os finalmentes. Segundo biólogos especializados em comportamento animal, as táticas de sedução de algumas espécies servem para impressionar e fortalecer o vínculo entre o casal.

Outro exemplo mais famoso, é o pavão. Quando o macho está com sua exuberante cauda completa, usa como aparato indispensável para conquistar a fêmea. Durante a corte, o pavão cerca a companheira e fica exibindo sua plumagem em leque. O ritual prossegue com algumas corridinhas atrás da pretendida.
Concluí que temos, em Guaporé, homens-pavão. E que sua cauda, corresponde, obviamente, ao carro. Há mulheres-pavão também, que se impressionam com os cavalos de potência do motor, mesmo que o cérebro seja uma massa gelatinosa, praticamente inútil.

Como gostos, cores e amores, não se discute, sinceramente, acho muito interessante o processo de conquista que se dá, aos domingos, no final de tarde em Guaporé.

Elegi um casalzinho e observei. Na primeira passada em frente à praça, ela estava animada, curtindo música, comendo pipoca e conversando animadamente. Na décima passada, ela já não conversava mais. Na trigésima, começou a apresentar uma cor esverdeada. Na quinquagésima passada, vomitava no saquinho vazio de pipoca! Socorro!!! Dar tantas voltas pode causar enjoos!

De qualquer forma, este hábito tornou-se uma tradição em Guaporé. Brincadeiras à parte, deixar de dar “uma volta” no centro, aos domingos, é algo tão impensável quanto circo sem palhaço, namoro sem abraço, Romeu sem Julieta e bebê sem chupeta.

Quem nunca deu uma voltinha, que atire a primeira pedra.

Mas para os leitores sem carro, que não podem usar esta tática na conquista de uma parceira, aqui vai um consolo: Ainda existem mulheres a moda antiga. Do tipo que ainda se apaixonam com flores,  um bom papo inteligente, com gentilezas e programas culturais.

Diante de tanto ronco de motor e gasolina, sinto saudade do tempo em que os amantes andavam de mãos dadas, curtindo um pôr-do-sol, e conversando ao sabor do vento.

Agora, se você tiver mesmo uma queda por Maria-Gasolina, use a filosofia de um amigo meu:

“Namorada perfeita é aquela que nos completa, ou pelo menos, completa o tanque do nosso carro”.

No mais, o verão vem chegando, e com ele ainda mais movimentação no centro da cidade. Diversão para quem conquista, quem é conquistado, e claro, para nós, que adoramos, ‘dar uma espiadinha’.
Beijos, meus amores!

Mural de Recados:
Acredito que Guaporé seja uma das cidades mais movimentadas aos domingos, na região. Os jovens saem de casa em grupos, tomando cada milímetro das calçadas. É muito legal esse hábito. Claro que sempre há uns exagerados, e outros porquinhos, que deixam um rastro de lixo e sujeira por onde passam. Isso é questão de educação. Penso que se cada um fizer sua parte, esse problema será resolvido.

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