Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A dor que desatina sem doer...

Arranquei uma unha quando bati com o pé na porta da cozinha.
No início eu senti um formigamento. Depois vi o sangue no piso branco. Vermelho vivo.
Depois veio a dor.
E doeu. Aquilo me deixou sem ar, e não havia almoçado, então foi fácil ver o mundo rodar. Perdi o equilíbrio, a cor do rosto e fiquei com o lábio arroxeado.
Chorei.
Há tempos não chorava de dor.
Tomei um remédio, fiz um curativo. Alguns minutos de dor pulsante. Passou.

Ontem à noite um fato desencadeou a lembrança de uma dor antiga. Voltou com tudo. O buraco no estômago. Os olhos carregados de lágrimas grossas. A falta de sono. A tristeza. O vazio.

Aquilo ficou ali... por um tempo e se escondeu de novo.
Mas não passou.

Com a ferida do pé quase cicatrizada, apertei a ponta do dedo machucado pra ver se conseguia fazer reviver a dor sentida pela ferida real. Nada.

Busquei então a lembrança do machucado da alma. Voltou. Com tudo.

Sempre estará lá. Essas dores são assim, nunca se vão.

Um amor que não aconteceu. O filho que não nasceu. O sonho que não se viveu. O lugar que não se conheceu. O adeus que não conseguimos dar.

Não chegamos a tempo.

A dor do que nunca se fez visível dói muito mais do que qualquer outra.
Dói porque não passa. Dói porque o tempo não volta.
Dói porque a oportunidade foi desperdiçada. A luta foi inglória, na batalha, você foi derrotada.

Portanto, faça acontecer.
Doa a quem doer. Não faça como eu.
Porque nada dói mais do que aquilo que você não viveu.

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