Devaneios tolos... a me torturar.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Amizades de ocasião

“Que turma unida vocês tem. Estão sempre se divertindo juntas”, comentei eu.


E como resposta, obtive uma das mais comuns realidades em círculos sociais: “Isso daí não é amizade. É puro marketing. Na hora da festa, todo mundo corre para fazer uma foto feliz e receber curtidas nas redes sociais. Na hora do aperto, não resta quase ninguém”.

Muito antes do aparecimento das redes sociais o mundo já caminhava assim. Amizades e amores de ocasião acompanham o homem desde as cavernas. Todo mundo quer levar alguma vantagem.

Se observarmos grandes grupos que “deram o que falar” nas diferentes gerações em nossa cidade, chegaremos à conclusão que poucos, muito poucos, mantiveram-se unidos.

Porque é fácil ter amigos na festa open bar. Na casa com piscina. No passeio de carro da vez. Fácil é ter amigos para virar as noites na balada, para encher a casa de praia, ou para desfrutar de um final de semana regado a álcool e mulher bonita na casa de campo.

Seguido ouço pessoas falando: “Coitado de fulano, enquanto durou a fama, estava sempre cercado de amigos. Hoje sumiu da vitrine social e anda sozinho”.

Discordo totalmente da afirmação.

O que acontece é exatamente o contrário: “Feliz do fulano. Livrou-se de amigos parasitas, percebeu que pra ser feliz não é necessário estar na vitrine, e só anda com quem realmente importa”.

Quem adora uma frase de efeito deve conhecer aquela que diz:

Quem é de verdade, sabe quem é de mentira.

Uma óva.

Quem é de verdade, precisa descobrir quem é de mentira. E para isso, sofre duras decepções com pessoas importantes, próximas, que se intitulavam amigas, amores e quase irmãs.

Quem precisa desfilar com um bando de baba-ovos ao redor deve estar consciente de que sanguessugas alimentam-se do sangue alheio. É uma via de mão única. Eles não vão estar lá quando você precisar!

Dependendo de nossa postura diante da vida, conseguimos aprender com essas duras lições. Nos tornamos pessoas bem mais seletivas. Podemos ter milhares de conhecidos, mas poucos e bons amigos.

Nas coisas do coração, também aprendemos às duras penas. Podemos experimentar muitos amores, tratá-los com leviandade, com imaturidade e às vezes até com crueldade. Mas também encontraremos pessoas que nos tratarão assim.

A soma dos erros que cometemos e dos que cometem conosco devem servir para nos tornarmos pessoas melhores, mais responsáveis com aqueles que cativamos. Mais humanas e solidárias. Menos aproveitadoras.

Nós somos exatamente aquilo que atraímos. Para o bem e para o mal. Nossa postura diante dos outros determinará que tipo de pessoas teremos ao nosso lado durante nosso caminho.

E depois de várias colheitas, o semeador aprende a lei da semeadura.

Que na vida você encontra quem você merece, e não quem você procura.



Beijos, meus amores!

Mural de Recados

Amizade: existe sim amizade verdadeira e muitos grupos de amigas são exemplo disso aqui na cidade. Na verdade, a amizade é possível onde não há competitividade, e onde há sinceridade e afeto puro, de coração. Preserve esses amigos. São raros e únicos. E valorize sua família, eles são os melhores amigos que você pode ter.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os toscos vão dominar o mundo

Oi geeente!


Tosco, do dicionário: Não lapidado, nem polido. Grosseiro, rude. Sem instrução. No meu dicionário, tosco é o sem noção.

Estou cansada de gente tosca. Gente que veio ao mundo bruto, e não conseguiu se polir com o passar dos anos e com os ensinamentos da vida. Gente que não tem vontade de aprender, mas está sempre pronto pra opinar. Há ainda o tosco que é instruído, mas usa a instrução apenas para o que lhe convém.

Gente ignorante mesmo, tanto no sentido do desconhecimento, quanto no sentido da falta de tato para lidar com qualquer situação.

O mundo é tomado de toscos. Há toscos de sucesso, porque com muito polimento e delicadeza, fica mais difícil chegar ao poder. Por isso os toscos estão lá, comandando o mundo.

Gente tosca, que declara guerra. Que se acha superior. Gente tosca que comanda torcida de clube de futebol. Gente tosca na política. Gente tosca na chefia. Gente tosca nas redes sociais.

Gente tosca que acredita que grosseria é sinceridade e que isso não é defeito, é qualidade.

Gente tosca que faz piada de mau gosto e se acha engraçado. Que está sempre pronto para julgar o outro sem conhecer. Gente sem limite.

Que se acha estrela, que se acha pop, que se acha Einstein, que se acha moderno, que se acha na moda, que se acha rico, que se acha lindo, que se acha importante, éca, gente que se acha.

Quer ter a real dimensão do quanto o mundo está cheio de toscos?

Crie uma conta em uma rede social.

Observe o comportamento da humanidade.

Mulherada sem noção com foto de peito e bunda de fora, e na legenda uma citação de Gandhi, por um mundo melhor. Toscas.

Homossexuais, bissexuais e heterossexuais acreditando que liberdade sexual é esfregar na cara da sociedade cenas de intimidade, que constrangem e que expõem pessoas sem necessidade. Toscos.

Gente preconceituosa, procurando por mais gente preconceituosa, para juntos formarem grupos preconceituosos.

Lunáticos e fanáticos religiosos, que matam, mutilam e humilham em nome de “Deus”.

Políticos corruptos caras de pau. E políticos bons pagando pelos maus.

Gente tosca que maltrata animal. Que não cuida de criança. Que despreza os idosos. Que debocha de quem tem deficiência.

Todos os tipos de radicais. Aqueles que acreditam serem donos da verdade. E os que acreditam que só há uma verdade.

Gente tosca que só enxerga suas qualidades, e nos outros só os defeitos.

Gente tosca sem paciência no trânsito.

Gente tosca que fala com você sem tirar os olhos do celular.

Gente tosca sem bom humor, sem jogo de cintura, sem flexibilidade.

Gente tosca que não sabe se relacionar com pessoas diferentes, que não sabe lidar com opiniões diferentes. Gente tosca que não respeita as diferenças. Gente tosca, tosca, tosca.

Minha vontade é comprar milhares de milhões de enxadas e mandar essa gente capinar uma horta. Mas seria muita “tosquice” da minha parte.

Porque também é tosco, quem não consegue conviver com gente tosca. Tipo eu.

Beijos, meus amores!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Enquanto houver tempo...

Eu acredito que, mais importante que a pessoa certa, seja o tempo certo de cada pessoa.

Quando se está em descompasso, não há amor que resista. Mesmo que exista.

Pessoas certas se encontram o tempo todo, e se perdem no tempo.

Esse danado do relógio biológico de cada um “tic-taca” uma série de comportamentos que prejudicam relacionamentos.

As necessidades de cada um variam com a idade. Há fases para tudo. Para ser de um só, e para ser do mundo. Para apreciar sabores desconhecidos, e para escolher seu sabor preferido.

Para ter asas, e para criar raízes.

Quando exigimos que o outro pule uma fase da vida para se adaptar a nós, estamos automaticamente tentando mudar seu ritmo. E o descompasso será inevitável. Cedo ou tarde, a fase não vivida baterá à nossa porta, causando muitas vezes devastações irreversíveis.

Nós podemos controlar o que fazer com o tempo, mas não somos donos dele. Nem do nosso tempo, muito menos do tempo do outro.

Há quem floresça no inverno, quem amadureça no outono, quem perca suas folhas no verão, e quem dê frutos na primavera.

É impossível caminhar ao lado de quem voa. Tampouco correr ao lado de quem caminha.

O ritmo de cada um dita o compasso de quem estará, ou não, ao nosso lado.

Besteira e perda de tempo, querer frear o outro.

A solução, para quem tem paciência, amor, e uma dose extra de perdão, é esperar. Esperar passar, esperar crescer, esperar amadurecer, esperar desacelerar.

Ou partir.

Não raro olhamos para trás e enxergamos ao longe, pessoas que um dia estiveram ao nosso lado. Não deixamos de ama-las, de lhes querer bem. Apenas estamos em outro tempo. No nosso tempo. Elas ficaram para trás. No tempo chamado passado. Quiçá, poderão estar novamente em nosso futuro.

Acredito que exista um tempo certo para cada acontecimento marcante de nossa trajetória. Tempo de aprender, tempo de experimentar, tempo de ganhar, tempo de perder, tempo de voar, tempo de criar raízes, tempo de ser só, tempo de ser dois, tempo de multiplicar.

Mas existem pessoas que ficam presas a uma fase da vida. Não conseguem se comprometer, se acomodar, desacelerar. É praticamente impossível caminhar ao lado delas. Deixe que sigam. Ou que fiquem parados no mesmo lugar. Não tente modificar, muito menos julgar, e pior ainda, condenar. Até mesmo um relógio quebrado está certo por um momento.

Siga. Liberte-se. Vá adiante.

Continue caminhando. No seu ritmo.

Um belo dia, vai olhar para o lado, e vai perceber, enfim, que alguém alcançou você. Está em sintonia com seu passo. Respira no seu compasso. Dança conforme o ritmo de sua música. E tem o mesmo destino que você.

O sol vai estar brilhando a sua frente. Um vento leve vai estar batendo em suas costas. Uma sintonia de paz vai proporcionar a certeza de que você está no caminho certo.

E juntos, seguirão, em qualquer ritmo, pé por pé, passo a passo, até que o tempo, esse breve tempo que temos para buscar a felicidade e para viver plenamente, finalmente se esgote.

Fim.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Para quando eu morrer...

Oi geeeente!


Recebi surpresa a notícia do falecimento de uma pessoa que há anos eu não via. Ela era responsável pela limpeza em uma rádio onde trabalhei. Uma mulher que era feita de pura bondade, sempre sorridente. Gostava de animais, de ajudar os outros, sempre simpática e agradável. Era muito humilde, e vítima de uma doença que lhe roubou a vida, foi enterrada na semana passada.

Quando fiquei sabendo, já era tarde. Mas uma das filhas me procurou, para saber se através da rádio, era possível realizar algum tido de campanha para pagar o enterro da mãe. Tinha custado cinco mil e quinhentos reais. E a família não sabia de onde tirar o dinheiro.

O enterro foi simples, como ela era. Mas nem por isso foi barato. Temo que morrer esteja mesmo pela hora da morte. Imaginem um enterro cheio de pompa e circunstância. Custa mais de 10 mil reais, se bobear, vai para os 20 mil.

Mas o preço da morte fica muito mais caro, se levarmos em conta um terreno no cemitério (Isso, no cemitério. Imaginem o preço do terreno no céu!). Aqui em Guaporé abriram uma espécie de “leilão” de terrenos no cemitério municipal, onde vale a maior oferta. O lance inicial fica em torno de cinco mil reais. Quem der mais, tem direito de escolher o melhor terreno para ser enterrado. É mais ou menos como comprar um apartamento: quem tem mais, fica com a cobertura.

O custo de vida está tão alto, que não dá mais nem pra morrer!Fala sério!

Por isso, aos meus queridos familiares e amigos, aproveito para deixar algumas recomendações antes da minha morte:

Por favor, não gastem quinze mil reais pra me enterrar. Gastem esse dinheiro comigo em uma viagem de navio pelo Mediterrâneo.

Não, não quero cobertura no cemitério. Quero uma casa aconchegante em vida, grande o suficiente para caber meus amigos e as pessoas que eu amo. Venham me visitar sempre que possível.

Não me deem o caixão mais caro. Minha avó, muitos anos antes de falecer, já falava em escolher seu caixão. A Dona Terezinha tinha uma certa obsessão por morrer com dignidade.

Gente, eu quero é VIVER com dignidade. Não pretendo ficar um só minuto no caixão. Quando bater minhas botinhas, automaticamente minha alma vai para um lugar muito mais feliz do que um caixão debaixo da terra. Mesmo que seja um caixão podre de chique.

Ah, também não venham me homenagear no túmulo. Como eu falei, não estarei lá mesmo. Me deem flores em vida, para enfeitar a sala da minha casa. E após minha morte, por favor, dirijam uma oração a mim quando estiverem reunidos, felizes, lembrando dos bons momentos. Querem me dar flores? Cultivem jardins, e deixem o mundo mais bonito!

Eu sei que todo mundo precisa ser enterrado, cremado, enfim. Então, podem me colocar no caixão mais barato, e podem me enterrar debaixo de uma árvore lá nas terras do meu pai. Que antes foram do meu avô. E antes dele, do meu bisavô. Vou virar pó mesmo. Não quero ocupar espaço no cemitério, não.

Muita gente acha que se mede o valor de uma pessoa pelo tamanho do seu enterro. Pelo número de flores que rodeiam seu caixão. Pelo número de pessoas que compareceram ao seu velório. Em cidade pequena, vale o ditado: “Gente importante tem a missa do velório rezada na Igreja. Porque não cabe todo mundo na capela mortuária”.

Uma ova! O valor da gente é medido pelo número de pessoas que conseguimos reunir em vida: porque valorizam nossa companhia, porque nos querem bem, porque nos amam de verdade.

O problema, minha gente, não é garantir que sejamos enterrados com glamour. O problema é garantir, que não sejamos enterrados vivos.

Portanto, tratemos de viver o máximo que pudermos, com a maior intensidade possível. Porque afinal, a morte, além de ruim e inevitável, ainda por cima é cara!

Beijos, meus amores!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Inverno bom pra piriguete!

Oi geeente!



Nesses dias de calor em pleno inverno, quando a temperatura chegou a (pásmen!) 30 graus em julho, lembrei de uma ocasião em que estava em Gramado num domingo de sol, na entrada da primavera. A cidade é pequena e, a cada esquina, nos encontramos com as mesmas pessoas, que estão fazendo o mesmo que nós: turistando.

Pois uma família, que pelo sotaque era do Nordeste, deve ter comprado aqueles pacotes turísticos de final de temporada, com os dizeres: Serra Gaúcha com neve!!!!

Gente, se já está difícil encontrar neve em Bariloche e Santiago do Chile, imaginem em Bento! Pois a família estava confiante, e precisava voltar pra casa com histórias de frio (muuuuito frio) pra contar.

Aquelas criaturas usavam manta e gorro num calor de 40 graus! Enquanto eu me jogava de boca num sorvete, as pobres crianças tomavam chocolate quente e o pai fotografava tudo. A mulher, com as bochechas já vermelhas de tanto calor, posava de casaco de couro e cachecol para uma foto no Lago Negro, e atrás dela o vendedor de pipocas estava de regata. (Imagine quem olhasse as fotos no Facebook! Ia achar que um dos dois estava precisando ser internado!)

Passei o domingo inteiro observando aquela família engraçada, que pagou uma banana para passar férias no frio, e fingiu que estava frio, só para não perder a graça.

No final do dia, desfigurados, os pobres devem ter voltado para o hotel, e devem ter dormido pelados na sacada, pra refrescar.

O que quero dizer é que realmente estamos vivendo um tempo impossível de definir estações do ano. E as pessoas ficam completamente sem noção de como se vestir.

Num sábado de julho, na praça de Guaporé, tanto tinha gente de casaco de lã e bota montaria, como de sandália e barriga de fora. Sim, as bordinhas de catupiry e os piercings saíram para tomar sol! (Nada contra borda de catupiry, mesmo porque eu tenho tanto pneu que posso montar uma borracharia). Destaco é o contraste.

Os pezinhos que estavam de fora em sapatos abertos eram tão brancos, que mais um pouco era preciso chamar a Funerária! Gente, pé de defunto passa vergonha.

Eu mesma estava usando uma básica com um casaquinho e lá pelas tantas precisei arregaçar as mangas e colocar os braços pra fora. Entre o branco da pele e o preto dos pelos dos braços, fiquei com medo de ser confundida com um macaco! Socorroooo!

Não estamos prontos para isso São Pedro! Aqui no sul as mulheres vão gradualmente se preparando para expor braços, pernas, pés e barrigas. Vamos timidamente pegando um solzinho, recuperando um pouco de cor, depois de meses debaixo de casacos pesados.

O inverno quente é a alegria das piriguetes! Isso as livra das graves infecções respiratórias, já que insistem em sair peladas mesmo com temperatura abaixo de zero!

Inverno quente é uma afronta à gauchada, que adora sentar pertinho do fogão à lenha, comendo pinhão, amendoim, batata doce e tomando mate. Tem que ser muito macho pra aguentar uma cuia de chimarrão no inverno dos 30 graus, sem suar!

Minha mãe resolveu fazer polenta no fogão campeiro lá de casa, e coitadinha, foi parara no hospital por desidratação. Entre mexer a polenta e suar, perdeu muito líquido.

Estou com medo do que vem pela frente. No ano passado nosso verão registrou temperaturas mais quentes que as do deserto do Saara.

Não sei que roupa comprar, como vestir minha filha de seis meses, não sei de saio de casa de poncho ou de biquíni.

Vivemos dias em que em menos de 24 horas vamos de zero a trinta graus, num piscar de olhos.

Acho que o clima está louco. Ou os loucos seríamos nós?

Beijos, meus amores!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Nem todo palhaço é feliz

Oi geeente!


Uma conversa entre adolescentes tratava sobre “boicotar a festa de 15 anos da amiga”. Fiquei imaginando a pobrezinha com uma festa vazia, sem os melhores personagens da turma. Principalmente sem os meninos tão esperados, ou sem as meninas consideradas “chefes de torcida” da escola.

Se você passou pela vida sem sofrer um boicote, considere-se feliz.

Boicotar, segundo o dicionário, é punir, recusando-se a ter relações amistosas, criar embaraços aos interesses.

A prática do boicote é muito mais comum do que se pensa. Está acontecendo neste momento, e pode ser que você seja o alvo.

Muitas vezes, ao abrirmos a boca para falar de alguém que não conhecemos, repassando informações maldosas, estamos praticando o boicote. Queimando alguém na sociedade, pelo simples prazer de fofocar.

Outras vezes detonamos estabelecimentos comerciais concorrentes, ou ainda eventos sociais.

Não por nada, percebemos uma migração coletiva de um restaurante para outro, de uma boate para outra, de um bar para o outro, deixando para trás um rastro de empreendimentos mal sucedidos e falências iminentes.

Pegamos também personagens de uma cidade, de um círculo de amizades ou um familiar para “Judas”, e malhamos o coitado até que não lhe reste nenhuma credibilidade.

Basta uma pisada na bola, para que o boicote coletivo aconteça. E aquele fulano ficará marcado para sempre pela mancada que deu, independente de tudo que tenha feito de bom na vida.

Particularmente, procuro me educar para não ser uma “boicotadora”. Porque às vezes, o somos sem nos darmos conta.

Nossa opinião sempre influencia alguém a agir de alguma forma, para o bem, ou para o mal. Precisamos velar por nossas palavras, para que elas trabalhem pela evolução e não pelo retrocesso.

É tão feio boicotar os outros. É tão triste ser boicotado.

Vejo meninas e meninos traumatizados a vida inteira pelos boicotes na escola. Vejo mulheres sozinhas, marginalizadas, porque são consideradas fora dos padrões da sociedade. Vejo homens rotulados disso ou daquilo. Idosos tido como inúteis. Pessoas com alguma deficiência apontados como incapazes. Boicotamos o tempo todo, fechando portas que serviriam de passagem para que as pessoas tivessem oportunidades de crescimento, de felicidade, de inserção na sociedade.

Não ganhamos nada com isso, praticamos por pura maldade.

Também somos recordistas em boicotar nosso próprio país e nosso povo. Muitos gringos que vieram acompanhar a Copa, de espantaram pela hospitalidade, pela excelente comida, pelas acomodações em hotéis, pela beleza das cidades. Chegaram aqui achando que no Brasil só tinha mato, macaco, mulher de bunda grande e samba. Que imagem vendemos? Óbvio que temos muitos problemas sociais, políticos, mas denegrir nossa própria imagem não vai nos elevar ao ranking de país desenvolvido e gente civilizada.

"O Brasil costuma se superar. Já tivemos nosso tempo de vira-lata. Passou. A tendência agora é a síndrome da hiena raivosa. O vira-lata fracassa por medo de vencer. A hiena nervosa deseja o fracasso coletivo como uma forma de vitória particular”

Concordo com o colunista Juremir da Silva. Somos especialistas em jogar caca em nosso próprio ventilador, e depois, sujos de “m”, quando tudo dá errado, afirmamos convictos: “Eu já sabia”.

Somos auto-boicotadores de mão cheia. Boa parte de nós não confia em si mesmo, não arrisca, não vai à luta, com medo do fracasso. Por isso mesmo passa longe das vitórias. Mereceríamos ser mais confiantes. Com certeza alçaríamos voos mais altos. Mas que triste mania temos, não é?

Boicotar os outros é muito ruim, triste e feio. Mas boicotar a nós mesmos, é imperdoável!

Beijos, meus amores!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Nossos filhos, nosso espelho

Muitas vezes a escrita nos permite encontros e trocas de experiência com pessoas que jamais imaginaríamos. Escrever é se expor. Você publica sua opinião, e claro, fica lá preparada para ser julgada, apoiada ou criticada. É um risco que se corre.

Depois que fiquei grávida e tive meu bebê, por muitas vezes dividi com leitores meus sentimentos como mãe. As alegrias, as dificuldades, o modo como vejo o mundo e como pretendo criar minha filha. Em um desses encontros de trocas de experiências, aprendi uma lição inesperada, que divido com vocês.

Uma leitora contou que descobriu, ainda durante a gestação, que teria uma filha especial. A menina, chamada Alice, hoje tem a idade da minha filha Olívia.

Enquanto eu fazia todos os exames de pré-natal, pensei em como reagiria se recebesse a notícia de que meu bebê tinha algum problema de saúde.

Pois foi o que aconteceu a ela. No começo, ela conta que não conseguia comer, tomar banho, abrir a janela para ver o sol. Jamais rejeitou a criança, mas chorava desesperada, por dar a luz um ser que ela considerava frágil demais, para as maldades do mundo.

Pensava se, alguma dia, sua filha seria independente, conseguiria ter uma vida normal, sem a proteção dos pais.

Passado o impacto da notícia, ela afirma que a ficha caiu. Que finalmente pode perceber que seria mãe como qualquer outra. Que todas nós estamos correndo os mesmos riscos o tempo todo. O futuro é sempre uma caixinha de surpresas. Então, decidiu ser uma fortaleza, onde sua filha encontraria segurança, e mais do que isso, onde poderia encontrar a ferramenta que a levaria a uma vida como qualquer outra criança.

A mãe de Alice visitou escolas especiais, conheceu crianças prodígio dentro de suas limitações, que superaram limites e diagnósticos. Conversou com profissionais, montou um esquema de estimulação, onde a pequenina receberia todo o apoio para desenvolver-se na parte motora, na fonoaudiologia, para poder levar uma vida como qualquer outra menina de sua idade.

Sentiu-se forte e feliz pelo desafio que a vida tinha lhe dado: seria uma super-mãe, escolhida para conduzir um ser iluminado a evoluir com segurança, afeto, compreensão e amor.

Ela conta que, a partir do momento em que deixou de ver seu bebê como alguém com deficiências, passou a sentir-se incrivelmente preparada para esta tarefa.

Foi aí que ela lançou um desafio para mim, como mãe.

Diz ela:

“Temia por minha filha. Pelas maldades do mundo. Pela forma como as pessoas a olhariam. Talvez com pena, talvez com curiosidade, ou com desprezo. Como mãe, não aguentaria ver minha filhinha sofrer. Por isso, comecei por mim. Me propus a ver minha filha como normal, e assim tem sido desde seu nascimento. É claro que ela precisa de mais estímulos, mas tem se desenvolvido e nos surpreendido a cada dia. É um ser de amor. Puro amor. E quem é assim, sensível, puro, pode ser facilmente magoado. Já reparou, Michele? As crianças estão acostumadas a conviver com amiguinhos de cabelos loiros, cabelos castanhos, lisos ou ondulados, mais baixinhos, mais altos, mais magrinhos. Elas são criadas de modo a não discriminar essas diferenças. São diferenças consideradas normais. Agora, coloque numa sala de aula uma criança com cabelinho sarará, uma bem gordinha, ou com alguma deficiência física ou mental. São essas crianças as vítimas do tão temido Bullyng. Porque essas diferenças também não são respeitadas? Porque existem crianças que são pequenos monstrinhos? Preconceituosas e maldosas? É esta a pergunta que eu faço a você, e por extensão a todas as mães, que neste momento passam pelo desafio de educar e criar um filho. Eu estou criando a Alice para ser e para se ver como uma criança perfeitamente normal.

E você, como está criando a Olívia para ver a Alice?”

Com essa pergunta fecho este texto. Permitindo que todos nós façamos um exame da consciência, para encontrar a resposta.

Beijos, meus amores.

Na foto: esse figurinha é o Vinícius. Ele ganhou um ensaio através de um concurso feito pela Special Kids Photography. (Fotógrafo Eduardo Guillon)