Devaneios tolos... a me torturar.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Pra não perder...





Eu aprendi que pra ser verdadeiro, tem que ser sincero.
Que pra ser sincero, é preciso coragem.
Que pra ter coragem, antes é preciso ter medo.
Que é bom ter medo, pra dar valor,
Que o que tem valor, a gente cuida.
Pra não perder.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

O Super Homem nosso de cada dia

Oi geeente!



O dia 15 de julho foi o Dia do Homem. E uma polêmica criou-se na rede social Facebook, com mulheres baixando o sarrafo nos machos de plantão, e com os machos de plantão se defendendo das acusações. A frase mais comum era: “Feliz Dia do Homem, para quem sabe se comportar como um”.

A verdade, é que assim como muitas mulheres, existem homens que não servem nem pra se fazer sabão.

Mas a grande maioria merece, sim, nossos parabéns. Até mesmo uma salva de palmas, um café na cama e um beijo apaixonado.

Existe Homem (com H maiúsculo), existe omem (sem H), e existe o “homão”! É fácil diferenciá-los, pelo comportamento com as suas mulheres.

Deixemos claro, porém, que muitas vezes, um homem não se transforma em um homão para você, porque, simplesmente, você não é o mulherão da vida dele. É preciso um encontro de verdade, entre duas pessoas, para que isso ocorra.

Para clarear as ideias, vamos definir o que diferencia um homem de um “homão”.

Um homem, quando te enxerga entristecida, tenta descobrir o que aconteceu, pergunta, questiona. Demonstra preocupação. Já um homão, só de olhar para você, já sabe o que se passa. É porque ele te repara, te sente e te percebe. De cara, identifica. Ele conhece seus jeitos e trejeitos, e sabe a hora de tentar te fazer sorrir, e a hora de simplesmente enxugar tuas lágrimas. A hora de te fazer falar, e a hora de respeitar teu silêncio.

Um homem, gosta de te ver linda, e faz questão de te apresentar aos amigos, te exibir na balada. Mas um homão, valoriza muito mais os momentos em que só ele pode te admirar, sem maquiagem, sem luxo, e sem produção. Dormindo, ao acordar, ou em uma tarde fria e preguiçosa de domingo, quando o teu cabelo está todo emaranhado, e ainda assim, ele acha lindo.

Um homem, apoia e incentiva sua mulher a crescer profissionalmente. Mas um homão, vive todas as conquistas de sua mulher. Enfrenta ao seu lado os problemas, e comemora todas as conquistas, como se fossem dele.

Um homão, não muda de comportamento, mesmo que mudem os anos do calendário. Mantém o carinho, a atenção, a amizade, o respeito e o amor. E demonstra isso. Não deixa que desapareçam, com o tempo e a rotina, as pequenas gentilezas que o transformaram em um homem no aumentativo.

Todas nós, ao longo de nossas vidas, conhecemos muitos homens. O papel que eles desempenharam e desempenham, em nossa história, é que os transformaram em Super-Homens.

São nossos pais, nossos filhos, nossos amigos do peito, nossos colegas do coração, nossos amores.

São uma continuidade de nós mesmas, e diminuir sua importância em nossas vidas, seria nos transformarmos em mulherzinhas, pequenas e mesquinhas, que guardam mágoas, e que não sabem reconhecer o valor que um homem de verdade tem.

Pessoas são pessoas, há as boas, há as más, há aquelas que estão ainda passando pelo processo de aprendizado, que vem com os erros.

Não podemos jamais generalizar.

Neste espaço, vai nossa homenagem aos grandes homens! Poderíamos até sobreviver sem vocês, mas, confessamos: a vida não teria a menor graça!

Homens amados: somos grandes mulheres, porque diariamente aprendemos, ensinamos, e dividimos nossa existência com a existência de vocês!

Obrigado por atravessarem nossas vidas, e por darem calor, alegria e amor aos nossos dias.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Hã?!

Oi geeeente!

Em um (péssimo) dia qualquer, eu saí do supermercado, e cruzando a avenida encontrei um amigo. Era a primeira vez que me via grávida, e prontamente veio me cumprimentar. Me parabenizou e disse:

- Teu bebê será um menino!

Eu, que ainda não sei o sexo da criança, questionei o porquê. E achando que estava me dando a melhor explicação científica do mundo, ele disse: - - Porque os meninos roubam a beleza da mãe na gravidez!

(Tóin!!! Me chamou de feia na cara dura! Até pensei no nome do meu filme, caso filmasse um: “O filho da Frankenstein”!)

Gente, esse é só um exemplo, das coisas que as pessoas nos falam sem querer falar. Eu sempre acho engraçado, e já fui vítima de centenas de comentários desse tipo, que deixam a gente de sorriso amarelo. Eu me divirto!

Por vezes, na falta de algo mais interessante para dizer, falamos o que não deveríamos. Entre as conversas que descambaram, ultimamente, tenho várias pra contar.

Estava passando muito mal e, choraminguenta, comentei com uma conhecida: - Não aguento mais, mas graças a Deus, a médica disse que depois do terceiro mês, os enjoos passsam.

Prontamente, a amiga me animou: - Que nada... eu entrei vomitando na maternidade.

( Valeuuu!!! Pelo menos tem alguém pior que eu! :D )

Na sequência, cruzei com uma pessoa na rua, e ela me olhou com olhos arregalados, e disse: - Nossa, nem te reconheci, precisei olhar duas vezes.

(Alôooo! Eu tô grávida, não fiz transplante de rosto!!!)

Meus caros leitores, são situações cotidianas, gafes que cometemos sem querer, e que não devem ser condenadas, devem virar história pra contar.

Quem nunca deu um fora do tipo:

- Oi fulana, está de quantos meses?

- Eu não estou grávida!

Ou:

- É seu pai?

- Não, é meu namorado.

Os mais velhos da família, tipo aquela sua tia avó, também é campeã de audiência quando o assunto é dar furo. Você passa um mês comendo nabo e tomando suco de luz, consegue perder um quilo, e quando encontra com ela, a primeira coisa que escuta é:

- Mas que bela, que gorda! Assim que é bonito!

(Socorroooo!!!)

Outra pérola que ouvi numa dessas.

- Michele, não te queixa de ficar gordinha na gravidez. É a única ocasião na vida de uma mulher que ela fica gorda e bonita.

(Como??? Não existe no mundo gordinhas bonitas? Ser gordo é sinônimo de ser feio? Gente, vou ter um surto psicóticooo!)

Ou ainda:

- Parabéns Michele. Não te preocupa. Melhor ficar grávida, do que ficar doente!

(Hã?! Com licença, vou até aí morrer, e já volto!)

Divido com vocês essas pérolas, porque saíram da boca de pessoas muito queridas, e que na verdade, jamais tiveram a intenção de ofender. Serve como alerta para nos policiarmos um pouco, já que somos verdadeiras bocas de matraca, gamelas que vivem abertas palpitando sobre tudo. Precisamos pensar duas vezes antes de falar, e não o contrário.

Um comentário “maldito”, pode acabar com uma amizade, ou gerar uma grande confusão.
E quando escapulir alguma besteira boca afora, vamos levar na esportiva, e rir juntos!

Beijos, meus lindos, e quem nunca se atrapalhou com as palavras, que atire a primeira pedra!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Anjos sem asas



Oi geeente!

Ao longo da minha vida, contei com a ajuda de muitos anjos, para superar dificuldades. Anjos sem asas, que me deram a mão, que me abriram uma porta, que me deram afeto, e atenção. Cada tombo foi uma aprendizagem, e toda a vez que levantei, não levantei sozinha.
Não sou do tipo que se vira pra tudo, independente e decidida. Sou muito melhor, quando sou dois. Em casa, no trabalho, em qualquer lugar, sempre que é possível, divido experiências com anjos amigos, anjos família, anjos colegas, e até mesmo, os anjos bichos, meus animais de estimação.
Falo sobre isso, porque num domingo desses, li uma coluna da Martha Medeiros, sobre os anjos que nos guardam, aqui na Terra. Sempre aparece alguém, mesmo que um estranho, para resolver uma situação, acender uma luz, dar uma oportunidade. Já repararam?
Há anjos de tamanha grandeza, que literalmente, só lhe faltam as asas. Quantas vezes, emocionados, assistimos heróis de verdade, salvando vítimas de catástrofes, retirando pessoas de escombros, enfrentando fogo, bandidos, enfrentado todos os perigos, para salvar o próximo.
 Não são parentes, não são amigos. São pessoas. Expostas ao perigo, praticamente nuas em suas fragilidades. Ameaçadas, machucadas, feridas, que precisam, dependem, de outros para serem salvos, resgatados, para saírem vivos!
Lembram do caso do cão, que ficou ao lado do dono, preso a escombros depois do Tsunami no Japão, por dias, e que alertou os bombeiros de que ainda havia vida debaixo daquela montanha de pedras e argamassa? Da dentista, queimada viva, porque só tinha 30 reais na conta bancária, mas que atendia pessoas carentes, e aceitava como pagamento, o que o paciente podia dar?
Há seres, humanos ou não, que nos surpreendem a cada momento. Até mesmo a lambida do seu cão, quando você chega em casa após um dia terrível, traz alento imediato. Há anjos em toda a parte.

Mas e nós?

Esse é o ponto que quero chegar. Não precisamos de grandes feitos, para sermos anjos de alguém. E ainda assim, quantas vezes o somos?
Eu posso fazer uma lista gigantesca de anjos na minha vida.
Mas e eu, será que já fui o anjo de alguém?

Beijos meus amores!
Obs: Anjos não tem sexo, cor, raça, nem mesmo precisam ser humanos. A bondade existe em todos os seres. Olhem a imagem, abaixo, e como eu, emocionem-se!
Quando Lily era apenas um filhote, perdeu a visão devido uma rara doença. As perspectivas de vida para Lily, após a remoção de seus olhos, não eram muito boas. Felizmente, Lily conheceu uma companheira, chamada Maddison que acabou se tornando seus olhos e ajudou em seu desenvolvimento por toda a vida. Para onde Lily ia, Maddison acompanhava guiando através de toques com a cabeça a direção que deveria andar. A imagem, símbolo da amizade e companheirismo, ficou conhecida em 2011, tocando profundamente o sentimento de quem valoriza os anjos que tem na vida!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia...

Oi geeeente!


Minhas calças não me servem mais. Tampouco os shortinhos. As saias, então, nem com reza braba. Nos últimos 15 anos, não lembro de ter mudado o tamanho das roupas. Calças que usava há uma década, ainda me serviam. Sempre tive esse corpo. (Tirando os 300ml de silicone, que de ovo frito, me transformaram em uma mulher de peito).

Me olho no espelho e custo a me reconhecer. Não estou aqui me lamuriando, entendam minha linha de raciocínio: transformações bruscas, são as mais complicadas.

Nos acostumamos com nossa imagem. Se somos gordinhos, baixinhos, magros, altos, nossas características físicas também falam sobre nós. Antes de alguém realmente conhecer quem somos, primeiro conhece como somos.

Estou vivendo um belíssimo (e nem sempre fácil) processo de metamorfose e aprendizado. Uma reviravolta de 360 graus, que começou no corpo e vai chegando à mente.

Revendo conceitos, valores, aprendendo a conviver com novas formas, com um novo jeito de me enxergar. Minha vida nunca mais será a mesma.

Em nove meses, vou estar igual à Dona Redonda, de Saramandaia, carregando um enorme barrigão, talvez algumas celulites novas e estrias. Mas com um cérebro mais oxigenado.

Estou convicta de que uma vida sem grandes transformações, é uma vida sem graça. Que cabe eternamente no número 36 das calças jeans. Que nunca transbordou. Decisões que transformam profundamente, exigem coragem. E há muita covardia por aí.

Falo isso porque vejo muitas pessoas que nascem e morrem semente de pipoca. Nunca enfrentam nenhum teste de fogo, e nunca estouram.

Se eu me enxergo igual há pelo menos 15 anos, há pessoas aqui que são exatamente iguais há 70 anos. E não vão mudar nunca.

Executam meticulosamente as mesmas coisas, todos os dias. Sentam nos mesmos bares, pedem as mesmas coisas ao garçom. Criticam sempre as mesmas pessoas. Usam sempre as mesmas roupas. Cortam o cabelo sempre no mesmo salão.

Não gostam de mudanças, têm medo do novo. E mesmo que o sol se ponha 365 vezes no ano, parece que estão vivendo sempre no mesmo dia.

Fazem parte do mesmo grupo político. Da mesma entidade social. Nunca mudam de amigos. Nem de opinião. Guardam seu dinheiro no banco. Não viajam. Não arriscam. Não cometem exageros.

Pão duros de alma, que economizam vida. E passam, magrelos, pelos anos. Sementes que não germinam. Criam seus filhos (quando os têm), à sua imagem e semelhança, e sentem-se fracassados se algo sai diferente do planejado. Acham que estão certos. Que esta é forma correta de viver, porque nunca arriscaram nada, e consequentemente, não ganharam, nem perderam nada.

Desconhecem a adrenalina. O vento na cara. O sabor da liberdade. Desconhecem o fracasso, e tampouco saborearam o doce gosto de uma grande vitória. Apesar das rugas no rosto, décadas depois, ainda se enxergam iguais no espelho.

São ótimos negociantes, quando se trata de bens materiais, e péssimos, quando se trata do que realmente têm valor. Morrem de medo de serem roubados, passados para trás, enganados, traídos, prejudicados. Andam sempre desconfiados, dormem com um olho aberto.

Existem muitos desses circulando pela cidade. Talvez estejam lendo este jornal no Café. Ou tomando um uísque no Clube.

Estão em muitos lugares, mas ainda bem, não estão aqui, digitando esta coluna.

Eu vou engordar, vou emagrecer, vou ter um filho, vou escrever um livro. Mas não vou ficar sentada na poltrona, num dia de domingo.

E você?

sexta-feira, 28 de junho de 2013

E agora José, e agora VOCÊ?

Oi geeente!

E agora, José? E agora, você?

                                                                                     (Julian de Freitas)

Quando viajei pelo Nordeste, atravessei de carro a região escaldante e seca dos canaviais. À beira da estrada, trabalhadores completamente pretos de fuligem, encerravam a colheita, e queimavam os restos da cana de açúcar. Moravam, durante a temporada, em casas de barro, feito bichos. Ganhavam R$ 50 por mês. Penso que para este trabalhador, que nos períodos entre uma colheita e outra fica sem trabalho, o tal Bolsa Família é como chuva no deserto. Salvação, pão e alento.

Em uma missão de trabalho, sobre o Bolsa Família em Guaporé, me deparei com pessoas que possuem juventude, saúde e capacidade e que passam as tardes em frente às suas residências, tomando chimarrão, comendo pipoca e esperando o benefício chegar. Literalmente vivem como parasitas, às custas dos trabalhadores honestos. Em uma cidade onde sobra emprego, não deveria haver Bolsa Família. A culpa, não está no programa do Governo. Está nas pessoas.

Partidos políticos foram criados para unir gente com a mesma linha de pensamento, disposta a lutar pelo bem coletivo, por causas sociais justas, pela implantação de leis que beneficiem os honestos, os trabalhadores, os cidadãos de bem. E o que vemos, são muitos políticos legislando em causa própria, enchendo os bolsos de dinheiro público, emporcalhando toda a nação. A culpa, não está nos partidos. Está nas pessoas.

Somos eleitores, porque possuímos a maior arma de revolução em uma democracia: o voto. Que derruba o político corrupto e elege o representante honesto. Porém, o que vemos são eleitores que se vendem por uma carga de brita ou um cargo. Por um benefício. Por uma propina. Por uma vantagem. O problema não está no sistema eleitoral, está nas pessoas.

O futebol existe para trazer alegria. O esporte é sinônimo de saúde, forma líderes, ensina disciplina, produz campeões. A Copa do Mundo é uma forma de confraternização de nações, de emoção e de festa. Porém, é usada como bode expiatório para desvio e má utilização do dinheiro público, para exageros e gastos desnecessários, mordomias inadmissíveis. A culpa não é do futebol, é das pessoas.

O meu Brasil vestiu branco e pintou o rosto. Expôs cartazes de indignação e que gritou pelo fim da corrupção. Entre esses milhões de bons brasileiros, estavam os marginais, bandidos, saqueadores, ladrões, baderneiros, violentos. A laranja podre no cesto. A culpa não está nas manifestações. Está nas pessoas.

Penso que Darwin, ainda é muito atual. São os que melhor se adaptam ao meio, que sobrevivem. Qual é o “meio” em que vivemos? No meio da corrupção, do jeitinho brasileiro, de tanta vantagem fácil, de tanta roubalheira. Estamos nos adaptando. O #acordaBrasil foi um basta. Mas agora, depende de nós. Como?

- Não venda nem negocie seu voto. Eduque seu filho para a honestidade. Respeite os idosos, as crianças, os animais. Não fure filas, não roube no troco.

- Não deprede o patrimônio público. Não jogue lixo nas ruas. Preserve a natureza. Repudie todo o tipo de corrupção. Trabalhe honestamente. Ame e respeite sua família.

- Seja uma pessoa de bem. Trabalhe para o bem comum. Saiba colocar-se em segundo plano, diante da coletividade. Aproveite as oportunidades de estudo. Um país onde o povo é ignorante, não consegue tomar as rédeas de sua história.

- Comece exigindo a qualidade dos serviços públicos em sua cidade: segurança, saúde, educação. Não seja um alienado às causas sociais.

- Seja político. Porque o analfabetismo político ainda é o maior analfabetismo do Brasil. Seja cidadão. Dessa forma, mudaremos de verdade o nosso país, a partir de nós mesmos.

Já diz o provérbio:

“Antes de iniciares a tarefa de mudar o mundo, dá três voltas na tua própria casa”.

Beijos, meus amores!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A cegueira da visão

Oi geeente!


Já comentei várias vezes que, por conta da minha gravidez, andei passando muito mal, nos últimos meses. Mas eis que em uma manhã fria, acordei sem os enjoos tradicionais, mais animada. Consegui arrumar os cabelos, passar um reboco na cara, e saí faceira para o trabalho. Desci do carro, e atravessei a calçada me achando a última bolacha do pacote, rumo à Rádio Aurora.

Quando cheguei à escada que dá acesso à emissora, dei uma trombada de cabeça, mais propriamente na metade da testa, em um portão de ferro, que não estava totalmente erguido. Mas pensem em uma cacetada!

Como a vergonha vem em primeiro lugar, olhei ao redor pra saber se alguém tinha visto aquele mico. Depois, fora metade dos chifres que eu arranquei com a porrada, levei umas duas horas para lembrar quem eu era e onde estava. Sem falar que desfilei com uma marca vermelha dividindo o cabeção por uns dois ou três dias. Era a versão feminina do Rambo!

Agora eu pergunto, nobres leitores: De onde surgiu aquela m@#%* de portãaaaao? Eu nunca tinha visto ele lá antes!

Pois é. Num passeio pela cidade, em um sábado ensolarado, também reparei em prédios que surgiram “do dia para a noite”. Em jardins, que antes não estavam lá. Em canteiros, que haviam desaparecido. Em novas cores em casas antigas. Em muita gente desconhecida nas ruas. As coisas mudaram tão rapidamente, ou eu, que andei cega por aí?

Onde quero chegar com essa história toda?

Circulamos como baratas tontas. De olho no relógio. No celular. No Iphone. Respondendo mensagens. Atendendo ligações. Olhando para os pés. Pensamentos mil anos luz. Somos a geração do futuro. Estamos sempre no amanhã. Não conseguimos desfrutar o hoje.

Somos a geração fast food, disque pizza.

Que saudade do pão da minha avó. Eu sabia como ele era feito. Com paciência, via ela molhar a farinha, amassar, deixar crescer, assar. Depois fatiava, passava manteiga e servia com café.

Hoje em dia temos tudo pronto. Num mundo não muito distante, mandaremos fabricar nossos bebês, e a moto da UTI vem entregar em casa.

Precisamos desacelerar e observar mais. Há mudanças de cenários a cada nova estação. As folhas que amarelam, caem, as árvores nuas, os brotos, as novas folhas, as flores e os frutos. As sementes, e as novas árvores.

Precisamos perceber as mudanças ao nosso redor. Desde as mais sutis, às mais significativas. Precisamos erguer os olhos e enchê-los de horizonte.

Chega de cegueira.

A pancada me abriu os olhos. Eu simplesmente ando de cabeça baixa, sem enxergar os portões. Na porrada a gente aprende, mas não precisaria ser assim.

Não raro, nos deparamos com um homem que já não conhecemos, ao lado, deitado na cama. Ou com um filho que ontem era um bebê, e hoje já é um homem. Com um amigo íntimo que, de repente, tornou-se um estranho.

Assim como os cenários, as pessoas também se transformam. Se não acompanharmos essas metamorfoses, nos tornaremos cada vez mais sós.

Mas fiquemos bem atentos: pior que não enxergarmos as mudanças que acontecem ao nosso redor, é não enxergarmos as mudanças que acontecem conosco.

Essas são ainda mais importantes.

Conheço muita gente que é infeliz, sendo um completo estranho, vivendo no próprio corpo.



Beijos, meus amores!

Mural de recados:

Gente, se prestarmos atenção, perceberemos que todos nós andamos meio alucinados por aí. Outro dia, depois de muito tempo, conversei com um primo no Facebook. Eu disse a ele: -Nossa, como tu cresceu. Se tu me enxergar na rua, vem falar comigo, porque é capaz de eu não te reconhecer. E ele: - Pois é, isso já aconteceu diversas vezes.

Estão entendendo? Não podemos deixar que essa correria louca nos afaste da família, dos amigos, do contato pessoal. O mundo virtual não pode substituir o mundo real.