Devaneios tolos... a me torturar.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Vamos nos permitir!


Gente, eu sempre que quero comer sorvete, vou a um bom e variado buffet. É preciso aprender a não ter vergonha, nem se privar de coisas maravilhosas, por causa das convenções sociais.
Sabe tudo essa Danusa Leão...

SORVETE

Não há nada que me deixe mais frustrada
do que pedir sorvete de sobremesa,
contar os minutos até ele chegar
e aí ver o garçom colocar na minha frente
uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.

Uma só....

Quanto mais sofisticado o restaurante,
menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,
comprar um litro de sorvete bem cremoso
e saborear em casa com direito a repetir quantas
vezes a gente quiser,
sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções,
de prazeres meia-boca,
de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual,
mas tem que fingir que é difícil
(a imensa maioria das mulheres
continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado,
mas se contém para não desperdiçar os recursos do planeta.

Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo,
mas tem medo de fazer papel ridículo.

Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD,
esparramada no sofá,
mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar',
tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...

Aí a vida vai ficando sem tempero,
politicamente correta
e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente
sem tesão...


Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente
e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou
e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem,
podemos (devemos?) desejar
várias bolas de sorvete,
bombons de muitos sabores,
vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo,
o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga:
cinco bolas de sorvete de chocolate,
um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order',
uma caixa de trufas bem macias
e o Richard Gere,
nu,
embrulhado para presente.
OK?

Não necessariamente nessa ordem...

Depois a gente vê como é que faz para consertar o estrago....

* Recebi o txt com o título "Sorvete" por Danusa Leão, mas também já encontraram o mesmo txt intitulado pudim, da Martha Medeiros. As duas são ótimas. Eu deixo assim, pois prefiro sorvete a pudim! ;)

3 comentários:

  1. Que coisa louca, publiquei esse texto em Dezembro só que não era sorvete e sim Pudim, e era dado como da Martha MEdeiros! Hehehe Bom, mas ao menos o personagem final é o mesmo velho e bom Richard! Esse entramos num consenso! Td mundo adora! Bom findi! Beijoss

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  2. hahaha no final das contas daqui a uns dias eles atribuem a mim a autoria, e eu viro uma escritora famosa!!! rsrsrrs
    Gente, tadinhos dos autores, depois do advento da net... ninguém é mais dono de nada! haha

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  3. Tem aquele ditado judeu que diz "cuidado com o que desejas, pois poderás ser atendido". Estás preparada para o sucesso? Ele está vindo rapidinho...Abç.

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