Duelo do silêncio.
Este com certeza é o maior dos problemas conjugais. Quando o casal não conversa mais, limitando-se a dar respostas monossilábicas, o casamento chegou ao seu final. O cotidiano está cheio de casados assim. Olhares distantes, preguiça de bater papo, falta de assunto, corpos presentes e pensamentos longínquos. A televisão com suas imagens e fantasias é o refúgio para ambos.
Noticiários, novelas e filmes ajudam a tolerar a presença do outro até que o sono venha em socorro. Depois a busca pelo entretenimento pessoal sem a participação do companheiro(a). São grupos solidários de mulheres viciadas no baralho, longe dos maridos e varando as madrugadas. Voltam para casa com o cheiro acre do cigarro e com fadiga física. Uma rotina que as conduz para a sublimação do sexo e até aversão pelo mesmo. A inevitável anorexia sexual.
Os homens só encontram prazer na companhia dos amigos. São churrasquinhos aqui e ali, muita cerveja e gargalhadas. São gozações, piadas e ironias que em casa não são permitidas. Diálogos vazios e improdutivos. Apenas jogam conversa fora como diz o jargão em voga. Fora de casa se sentem confortáveis.
Vale a pena manter um relacionamento assim? No sexo, cuja prática vai ficando meramente ocasional e cada vez mais raro, desaparece o prelúdio, somem as carícias, sonegam-se os beijos. Uma coisa mecânica. Ele com inapetência, ela com fastio. Quitam-se tão somente do débito conjugal, sem o prazer da entrega.
Nelson Rodrigues dizia que tanto o homem quanto a mulher devem optar: ou são felizes em casa, ou são felizes na rua, em ambas é impossível. Homens agrupados em bares ou clubes com reiterada frequência e mulheres reunidas em salões de beleza, todos movidos pelo combustível da inconfidência, longe dos seus parceiros, são pessoas insatisfeitas com a vida. Sobrevivem socialmente, mas sob abismos existenciais.
Sofrem lambendo as feridas em silêncio, enganando a si mesmos e aos outros para manter uma relação falida, corroída pelo tempo e pela mesmice. Falta-lhes a coragem de romper as convenções, de quebrar as algemas da aparência hipócrita, de libertarem-se da opressão dos filhos, dos amigos, da tradição, do medo, da igreja.
Quem busca ser feliz, permitindo ao outro que também o seja, não está fazendo nada de errado. No duelo do silêncio não há vencedor!
* Desconheço o autor, se souberem, please, me digam!

Profundo esse, hein, amiga!!!!
ResponderExcluirQuanto ao post abaixo, já fiz terapia, mas, como a mocinha do texto, acabou que ficou caro demais, daí parti pra abstinência... Sem $$ na carteira e sem parar em loja nenhuma... Até que funciona, mas, tem dias que o mau humor pega, daí até comprar uma escovinha de dentes nova já tá servindo, hehehe!!!
Achei que eu era a única "privilegiada" com este mal, mas vejo que não...
Beijão, Feliz Páscoa, muito chocolate e depois na Academia da Fê pra compensar!!!
(Eu e a Vivi estamos com horário reservado já... Quanto tempo vamos aguentar??? Não sei, espero que muito!!!!hehe...)
Está faltando capacidade de amar em ambos os sexos. Sinal dos tempos. Amor se expressa e se nutre a partir de atos concretos, tendo como base a libido. São cada vez mais raras relações equilibradas, de dar e receber, nem que seja um telefonema ou um torpedinho de vez em quando para saber como é que está - e que retornem! Nem só ele ou ela convidar, ambos convidarem-se. Nem só ele ou ela pegar na casa de carro para jantar, mas às vezes um, às vezes outro. Sair de si e perceber o sentimento, dedicar-se sem abdicar do próprio eu. Empatizar, sentir que não estão sozinhos. O texto é um resumo excelente do padrão dos relacionamentos contemporâneos, e conta a história de duas pessoas que estão juntas, mas que vivem a mais profunda solidão. Normal.
ResponderExcluiressa boca costurada tá me dando uma coisa!
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