Oi geeeente!
Eu assisto o Big Brother (Esperem, contem até dez antes de
começar o apedrejamento...).
Eu confesso: assisto porque odeio. Detesto aquela gente,
detesto os discursos do Bial, não suporto aquelas peitudas sentando no sofá do confessionário
e dizendo: - Vou votar na fulana, mas por
questão de afinidade. Ou aqueles homens com muito músculo e pouco cérebro
dizendo, quando precisam defender sua permanência na casa: - Eu quero ficar porque tô sendo eu mesmo.
(Peraê, como é que a pessoa deixa de ser ela mesma? Me ensinem, quero passar
uma semana sendo a Gisele Bundchen).
Mas ao contrário do que parece, essa não é uma coluna sobre o
Big Brother. É uma coluna sobre a contradição.
Eu assisto porque odeio. Assisto pra me irritar. Acho a maioria
das pessoas desinteressantes. Sem conteúdo. Tenho pena das boazudas burras.
Outro dia, a participante Tatyelli Polianna disse que seu
namorado Roni (até que é gato!) era
metrossexual porque fazia a ‘sombrancelha’.
Socorroooooooo!!! De que adianta ser gostosa se quando
abre a boca é uma catástrofe? Eu tenho celulite, gordura localizada (dor de cotovelo), mas não falo ‘sombrancelha’,‘imbigo’, nem falo ‘amídolas’.
Então é isso: assisto pra ver aquele povo fofocar,
fazer intriga, mostrar o pior do ser humano. Assisto para vê-los bebendo demais
nas festas, fazendo fiasco, falando errado, rebolando bundas, exibindo
silicone. Assisto porque sou curiosa. E apesar de criticar, assisto porque
todas essas coisas mesquinhas fazem parte do ser humano. Espiar os outros
também.
Aí leio
intelectuais criticando abertamente quem assiste novela, quem assiste Big
Brother, quem assiste Faustão.
Eu acho que
o que difere gente culta de gente burra não são os gostos. São as atitudes.
De que
adianta ler Maquiavel, ouvir Mozzart, adorar os filmes de Tarantino, se você
não consegue respeitar o outro?
Deixa o cara assistir
BBB e vai fazer sua Yoga.
Respeitar o
gosto do outro, por pior que seja -na sua opinião-, é a maior prova de
inteligência. Mesmo porque, sua opinião não vai mudar nada. Se isso fizesse
diferença, eu teria acabado com todos os sertanejos do universo.
A verdade é
que todos nós temos um lado que ama o que odeia. Você está numa festa, bebe
todas, e quer dançar. Vai balançar mais ao som de Milton Nascimento ou de Michel
Teló? Você odeia a ex do seu atual, mas não resiste a cuidar da vida dela e
vasculhar seus perfis nas redes sociais.
Pois é. Escondido, a gente faz o que
diz que odeia.
A breguice, por exemplo, me incomoda. Mas, geralmente, o
brega é feliz, animado, original. Já muito intelectual por aí é intragável,
prepotente, dono da verdade, com o rei na barriga.
Montados em nossa inteligência, por vezes, sentimos inveja
dos simplórios. Eles são tão felizes com o que possuem! Se encantam com as
coisas simples, se contentam com o que a vida oferece.
De que adianta ser intelectual e ser chato, monótono,
excessivamente crítico, insatisfeito?
Eu acho o BBB um pavor. Mas quando estou jogada no sofá,
cansada de um dia de trabalho, juro que me divirto vendo aquela patacoada toda.
Oras! Eu poderia estar roubando, matando, ou cuidando da vida
do vizinho pela janela. Tem muita gente culta que gasta o tempo a falar mal dos
outros.
E quer saber? A tal Tatyeli Pollianna com esse
nome e falando errado está lá, na Globo. Vai ser capa da Playboy, e vai faturar
uma grana alta como convidada em festas e eventos.
E eu, aqui,
comprando no crediário em 24 vezes. Quem é mesmo a esperta e quem é a burra?
Beijos, meus amores!




