Devaneios tolos... a me torturar.

terça-feira, 24 de março de 2009


Eu não sou GALINHA!!!!



Você que está lendo essa coluna, provavelmente, assim como eu, em algum momento da sua vida, já se sentiu galinha. Na verdade, o tempo todo tem alguém tentando fazer com que você se sinta galinha. Eu muitas vezes agi como galinha. Mas não sou galinha não. E se você prestar bem atenção, e abrir suas asas, perceberá que também não é.
"Era uma vez... um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha. Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.
- De fato, disse o homem.- É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras.
- Não, retrucou o naturalista.- Ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.
- Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse: - Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe! A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou:
- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
- Não, respondeu firmemente o naturalista. - Ela é águia e possuirá sempre um coração de águia. Amanhã a farei voar.
E assim, fez várias tentativas frustradas. Mas na semana seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte. Foi quando ela abriu suas potentes asas. Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto. Voou. E nunca mais retornou.”
Vivemos em uma sociedade onde as pessoas tem medo de perder espaço. Onde muitas vezes, não é a competência que fala mais alto, e sim o “apadrinhamento”, o “puxa saquismo” e uma série de fatores que colocam pessoas despreparadas no poder. Estas pessoas estão ocupando cargos de chefia nos governos, nas empresas, na sociedade e até mesmo na família, na escola. Por entenderem que são limitadas, temem que outros capacitados tomem seus lugares. Por isso, podam as asas.
E nós, sem nos darmos conta, muitas vezes temos as asas podadas e vivemos ciscando por aí feito galinhas. O medo nos impede de voar. O comodismo nos impede de voar. Parece que cada um tem seu lugar correto na sociedade e precisa desempenhar seu papel. Se você é águia, mas ensinam você a ser galinha, galinha você se torna. Pense nisso. Pense em quantas oportunidades você perdeu porque não alçou vôos mais altos.
E lembre-se: você é águia. E o espírito da águia está em seu coração. Voe!

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