Devaneios tolos... a me torturar.

sábado, 21 de março de 2009


Tem gente que machuca os outros. Tem gente que não sabe amar...

A frase é um trecho de uma música, mas retrata verdadeiramente o problema vivenciado por muitas, muitas pessoas: não saber amar.
As pessoas desde sempre confundem amor com posse. Tanto em nossa sociedade, em que prega a monogamia (e que automaticamente torna o seu parceiro SÓ seu), quanto em culturas do oriente, em que a poligamia é permitida aos homens (o que acaba tornando as mulheres meros objetos nas mãos masculinas). Não saberia definir a exatidão da palavra amor, pois ele foi feito para ser sentido. Mas sei que nada tem a ver com posse.

Abordo esse assunto porque tenho estado chocada com a quantidade de atrocidades feitas em nome do amor... ou melhor... da paixão doentia.

Não saber amar é um grave problema. Confundir amor com o sentimento doentio de possuir alguém acaba levando a fronteiras perigosas com a loucura, a crueldade, a falta de raciocínio lógico e à selvageria.

Foi o que aconteceu em Guaporé, com os quatro assassinados e o suicídio do criminoso. Foi o que aconteceu com aquela jovem que ficou refém do ex-namorado no apartamento e acabou morta em São Paulo. É o que acontece diariamente em casos que amedrontam principalmente a nós, mulheres, quase sempre as vítimas.

Quase não ouvimos falar de casos de assassinatos brutais cometidos por mulheres a seus ex companheiros. Ouvimos sim, falar de tentativas de suicídio por amor (o que dá na mesma, porque também é o mesmo sentimento errado que move alguém a tirar a própria vida em nome de outra pessoa). As tentativas e os suicídios quase sempre são cometidos por mulheres, muito embora alguns homens também preferiram deixar de viver, a viver sem a pessoa amada.

Tenho certeza que todos nós já fomos atingidos, pelo menos uma vez na vida, por uma avassaladora paixão. É algo que nos tira do chão, nos leva à um estado contínuo de êxtase. Mas que invariavelmente acaba. Ou acaba em amor. Ou acaba em desilusão. E aí vem o sofrimento terrível, a dor, o vazio, o desespero, e talvez a raiva, o ódio... e o desejo de vingança.
Tudo isso acomete pessoas normais. Mas o que você faz com estes sentimentos é que faz toda a diferença.

Para a maioria das pessoas isso passa, e ensina a viver, ensina a amar, ensina a compreender que estamos aqui para ganhar e perder, o tempo todo.

Agora, quando estes sentimentos ruins passam a mover a pessoa que o sente... a mesma se torna um grande perigo a si e aos outros. Precisamos perceber isso e buscar ajuda. Não devemos ter vergonha de pedi-la.

Este tipo de sentimento acaba com a vida não só de quem é vítima, mas também de quem sente.

“ Persistir na raiva é como apanhar um pedaço de carvão quente com a intenção de o atirar em alguém. É sempre quem levanta a pedra que se queima.”

Pensemos nisso, e paremos de cometer pequenas maldades contra aqueles que não nos quiseram e não nos amaram. Pensemos nisso e vamos observar mais e tentar proteger aqueles que são vítimas de insanidades e brutalidades em nome do “amor”. Muitos dos crimes que acompanhamos poderiam ser evitados com um pouco mais de cautela.

E para quem ama... e vive um amor impossível... e não consegue se livrar da tristeza que isso provoca, procure ajuda de um psicólogo, um psiquiatra. A vida é maravilhosa e cheia de possibilidades. Toda a vez que me senti triste, deprimida, procurei controlar meus pensamentos, ocupar meu espírito com outros assuntos... até que o tempo curasse a ferida.

Adoro uma frase do Renato Russo, que retrata bem como nos sentimos diante da perda de uma paixão:
“Tudo está perdido, mas existem possibilidades.”

Parece que não haverá amanhã... porém sempre existirão infinitas possibilidades. Para tudo. Menos para a morte.

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