Devaneios tolos... a me torturar.

sexta-feira, 20 de março de 2009


Guaporé: terra de mulher sem vergonha

As mulheres guaporenses perderam a vergonha na cara, a vergonha no corpo, a vergonha em tudo. Quando isso começou? Quando a primeira bruxa malvada costurou a primeira calcinha enfeitiçada e resolveu espalhar por aí que era possível viver sem vergonha...

Talvez... seguindo as tradições das antigas “matronas italianas” as mulheres sem vergonha de Guaporé tenham saído de trás do fogão e passado para trás da máquina de costura...

Costurando o que? Uma mina de ouro em panos miúdos para cobrir as “vergonhas” que os homens todos adoram descobrir.

Neste jogo de cobre-descobre as danadas descobriram que sem vergonha e sem medo podiam ir muito além. Das máquinas para os balcões de inúmeras lojas, para de trás das mesas de comando de um exército de mulheres sem vergonha que criam, desenham, cortam, costuram, vendem, cobram, exportam... a liberdade, a independência, o desenvolvimento, o sustento e o progresso da cidade das mulheres que já não sofrem desse mal chamado vergonha.

E mais: já que perderam a tal vergonha, agora saem sozinhas, agora tem seus carros, suas casas, seus negócios, sua vida social, seus amados, seus amantes, seus maridos e sim... tem VIDA PRÓPRIA!

Ora... elas não tem vergonha de amar, não tem vergonha de chefiar famílias, sustentar o lar, educar as crianças, cuidar dos maridos...

Sim, maridos, pais, namorados, irmãos, amigos...

Esses aí... que com os olhos arregalados se perguntam nos cafés, nos bares, nas ruas:

- Onde vão parar essas mulheres guaporenses?

Ah... perdemos a vergonha do corpo, estampamos moda de calcinha e sutiã, porque foi-se o tempo de que instrumento de mulher era a mêscola da polenta e liberdade era queimar o sutiã...

Queimar não... mas quem sabe um dia desses, em uma jogada de marketing mirabolante, não tiremos os sutiãs em praça pública, em nome da falta de vergonha?

Você aí... escondidinha atrás do bordado, boquiaberta com a falta de vergonha dessas mulheres... quem sabe você também tire a roupa e as amarras que te prendem aos antigos preconceitos e vem ser feliz com essas mulheres guaporenses totalmente livres?

Faça como eu... como ela, como nós... DESCRUZE OS BRAÇOS... (Mas só depois de tirar a foto!!! Rsrsrs)

Se algum dia alguém lhe disser que você perdeu a vergonha, diga que perdeu sim... e quem encontrar... por favor: NÃO DEVOLVA!

Viver... e não ter a vergonha de ser feliz... cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...

Se o poeta tantos versos fez para as mulheres de Atenas, é porque, indiscutivelmente, ele não conheceu as nossas!

“Dizem que a mulher é o sexo frágil... mas que mentira absurda... ”
* Erasmo Carlos

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