Devaneios tolos... a me torturar.

sábado, 21 de março de 2009


Olhem para esta minha linda foto aí. Foi o Cassiano quem fez. Ele me disse: Michele, quero que tu te transforme em um olhar. (Pensei em me transformar em uma coruja... rsrs)

Claro que tirando as olheiras, marcas de expressão e tudo mais, o trabalho resultou nessa belezura aí do lado.

Mas não é a isso que quero me ater. Quero que reparem, que a expressão inteira do rosto revela na verdade um olhar bastante intrigado, questionador, provocador e porque não... um pouco debochado.

Às vezes, as palavras são totalmente desnecessárias para explicar quem somos. Pessoas com sensibilidade sabem ler nossa personalidade através dos nossos olhos. E geralmente eles não mentem.

Falo isso, porque outro dia, estava sentada no sofá da sala assistindo um capítulo da Minissérie “Maysa”. Eu dizia que ela simplesmente foi uma mulher incrível, verdadeira, intrigante, polêmica, que errou muito, e que sofreu muito por não conseguir controlar suas inquietações. Nunca houve um olhar como o de Maysa.

Foi quando ouvi um resmungo... – “Pra mim ela foi uma bêbada, pirada e sem vergonha na cara...”

Olhei para o “comentarista” e pensei... pobrezinho, mal sabe ele que também tem uma Maysa do lado.

Sim, queridos leitores. Todas somos um pouquinho Maysa. Sua mulher também é!

Nós mulheres, somos muito mais do que aparentamos. Quando amamos, nos entregamos por inteiro. Quando não amamos mais, sabemos como ninguém ignorar, “desamar”, odiar ou esquecer.
Mas todos os nossos amores e decepções nos deixam marcas profundas, que carregamos conosco por toda a nossa existência, mesmo que ninguém perceba.
Quando nos vingamos, usamos requintes de crueldade. E o fazemos com maestria. E mesmo que o objeto de nossa vingança jamais saiba de nossas atitudes... nós sabemos. E é o que nos basta.

Quando companheiras... somos confiáveis, somos confidentes, somos um ombro amigo, um apoio incondicional, um porto seguro. Quando amantes, somos desejo, somos entrega total.
Quando traídas, somos perigosas. Não queiram provar...

Ora bolas... será que não somos todas um pouco Maysa? Algumas disfarçadas, algumas adormecidas, algumas conformadas, algumas piradas, enlouquecidas. Algumas correnteza, algumas águas tranqüilas. Mas somos sempre profundas com poços inexplorados pelos homens simplórios que nos cercam.

Por isso tenho sempre comigo a frase... Não queiram nos entender. Mas insistam em nos amar. Nós mulheres, somos um mal indispensável! Nós somos uma caixinha de surpresas...

Fico observando as mulheres de nossa cidade. As mais maduras, que sofrem apostando em todas as artimanhas para aplacar os efeitos do tempo... será que há na vida delas um homem inteligente que saiba que o melhor acessório de uma mulher é o cérebro?

E aquelas jovens, belas, que estão iniciando a vida social e afetiva... será que sabem, que antes de ter um homem que faça parte da vida delas, é necessário que construam suas vidas sozinhas? Alicerçadas em uma carreira, em educação?
Ah... homens vem e vão. E o que sobra sem eles?

É por isso que a foto dessa coluna ilustra não quem sou por fora, mas quem sou por dentro. Sou tão questionadora, que às vezes beiro a infelicidade. Porque quem muito pergunta, não aceita respostas prontas.

Então não me conformo com nada. Não acredito na perfeição. Ela não existe. Sempre olho para as pessoas querendo encontrar a essência, além da aparência.

Por isso, não quero acabar como a Maysa... que não soube conduzir sua própria vida.. mas quem sabe, à partir dos erros, posso começar a acertar mais... E quem não quer?

“E ninguém tem o mapa, da alma da mulher”- Zé Ramalho.

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